quarta-feira, 10 de junho de 2009

Os Jesuítas e a Música Brasileira


  • A literatura histórica nos mostra que quando Frei Henrique celebrou a primeira Missa do Brasil em terra firme, os indígenas aproximaram-se deslumbrados com a pompa e a beleza da música sacra. Na verdade, os Jesuítas tiveram papel importante na nossa música. No trabalho de catequese e civilização dos indígenas, eles usaram a música e as artes - em especial o teatro – para comunicar suas mensagens de fé.
Destacaram-se Manuel de Nóbrega, João Aspicuelta Navarro e José de Anchieta. Um fato curioso é que, no início, por causa da desconfiança dos índios mais velhos, os religiosos se aproximavam deles através das crianças (curumins), a quem ensinavam cantos sacros. Estas, então, penetravam na aldeia cantando, acompanhados na frente com uma cruz para conseguir atrair a tribo.

O Padre Navarro traduziu algumas cantigas para a língua tupi e escreveu autos, pequenas peças teatrais que os índios representavam. Anchieta, por sua vez, utilizou a música como sedução para a catequese, compondo, a partir dos 19 anos de idade, várias músicas em tupi e escrevendo autos. Viajou por todo o Brasil criando nas aldeias as escolas para ler, contar e tocar alguns instrumentos.

  • O pastor e escritor francês Jean de Léry teve um papel importante em relação à memória da música indígena brasileira. Foi o primeiro a registrá-la e publicá-la em seu livro “Viagem à terra do Brasil”, em 1578, após o período em que permaneceu na França Antártica (Rio de Janeiro).
A música brasileira original nasceu principalmente da mescla de três raças: a branca, representada pelos colonizadores portugueses que trouxeram ao Brasil seus hábitos, costumes e tradições; a amarela, representada pelo índio que reagiu ao trabalho que o português lhe quis impor e fugiu para o interior onde teve a proteção dos catequistas; e a negra, constituída dos africanos trazidos como escravos para os trabalhos pesados nas fazendas.

Outros povos também influenciaram – não tão diretamente – a música brasileira. Os espanhóis (durante o domínio espanhol), os franceses e os holandeses. Mas a genuína música brasileira ostentaria no futuro as características inerentes aos três primeiros grupos étnicos que constituíram a base da civilização da época.
  • Do índio, a nossa música capturou o ritmo discursivo, o som nasal, as danças e bailados e alguns instrumentos que permanecem usados até hoje, como o chocalho.
  • Do português, as características da moda e do fado, as danças de roda, caninha verde, as danças dramáticas e instrumentos como o violão (na época chamado guitarra), a viola, o cavaquinho, a flauta, etc.
  • Do negro, a peculiar riqueza rítmica, as danças com coreografia mais evidente e instrumentos indispensáveis em qualquer roda de samba atual, como o ganzá, atabaque, cuíca, etc.

Assim, as primeiras formas musicais populares legitimamente brasileiras foram derivadas das diferentes correntes étnicas. Se o português colonizador acrescentou o lirismo e o negro africano deu característica mística à nossa música, o Brasil e seus primeiros habitantes ofereceram as propícias condições para que os costumes, em fusão, sobrevivessem às gerações.

Assim, o folclore brasileiro contém ricas e variadas danças, que geralmente obedecem a um enredo. De origem indígena: Caboclinhos, Caiapós e Guerreiros; de origem portuguesa: Bumba-meu-boi (e suas derivações regionais), Cheganças, Pastoris, Folias de Reis e Cordão de bichos; e de origem africana: Maracatu, Congo ou Congada, Taieira e Quilombo.

  • Assista a seguir: o pesquisador e musicólogo Fred Dantas da UFBA, em entrevista no programa "Debate" da TVE da Bahia, falando sobre este momento da história da nossa música.

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