sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Coreto da Rio Branco

Coreto da Praça Rio Branco [foto de 1916]

  • Comissão de moradores de Teresina encaminhou abaixo-assinado para a prefeitura da capital onde cobram da secretaria municipal de Planejamento a adoção de providências administrativas necessárias a restauração do antigo coreto, na praça Rio Branco. O movimento que cobra a construção do Coreto, faz parte de uma manifestação cultural chamada "Memória Viva" e está chamando a atenção para a descaracterização do patrimônio cultural arquitetônico da cidade nos últimos 30 anos.

A comissão cobra que o coreto seja construído seguindo todas as características estéticas originais. Eles acreditam que a obra deve ser feita juntamente com o projeto de Revitalização do Centro de forma a garantir a execução de parte da Política de Cultura do Município.

Segundo a comissão, ao executar o projeto de reinstalação do antigo coreto, no formato original, estará resgatando parte da memória social e identidade sócio-cultural da capital, valorizando a preservação de um patrimônio que, no passado, foi referência cultural de sociabilidade e civilidade para a sociedade teresinense.

HISTÓRICO DO CORETO DA RIO BRANCO

As primeiras retretas de que dão noticias os jornais realizavam-se à tarde, antes de 1880, debaixo dos velhos oitizeiros, na atual praça da bandeira, frente ao prédio da Companhia Editora do Piauí (COMEPI). Na época este prédio era ocupado pela Companhia de Navegação do Rio Parnaiba. A parti de 1880 foi construido de madeira rústica o primeiro Coreto de Teresina entre a Igreja do Amparo e a Pirâmide.

Somente em 1912 foi ajardinada a primeira praça de Teresina, a Rio Branco (antiga Uruguaiana), e nela construido um coreto de alvenaria, para as retretas, que, daí em diante, e por muito tempo, se realizavam às quintas e domingos.

Depois de 1930, com o ajardinamento da praça Pedro II, as retretas passaram para aquele logradouro, onde também se construiu um Coreto que ainda hoje é mantido.

Nossa literatura está cheia dessas recordações romanticas e simpaticas dessas retretas. Alguns dos visitantes que por aqui passaram naquela época, deixaram-se também impressionar por elas, em sua ingênua autenticidade. Assim em 1913, quando aqui esteve o engenheiro-agônomo paulista Assis Iglésias, deixou nos suas impressões sobre o Piauí de então em um maravilhoso livro intitulado "Caatingas e Chapadões", onde o autor nos fala demoradamente das retretas, inclusive elogiando as execuções perfeita e o repertório variado.

Fonte: [livro "Soldados de Tiradentes", autores: Celso Pinheiro Filho e Lina Celso Pinheiro; Ed. Artnova; 1975]

A LUTA CONTINUA...

O Ministério Público está analisando desde junho a degradação dos bens de valor histórico-cultural do centro de Teresina, principalmente os casos dos prédios que estão sendo demolidos para a construção de estacionamentos e reforma sem restauração de prédios com valor histórico.

  • A promotora Cléia Cristina Fernandes afirmou que haverá uma discussão entre os professores do CCHL da UFPI, membros da Fundac, da Fundação Monsenhor Chaves e do Iphan, juntamente com a prefeitura para saber se é possível incluir o coreto no projeto.

Segundo o arquiteto Júlio Medeiros, responsável pelo projeto atual, sua idéia é baseada na arquitetura da década de 30. Ele afirma que tentou resgatar o valor histórico-cultural dessa época porque não se tem sequer fotografias de datas anteriores.

O Vidéo a seguir é uma matéria da TV Cidade Verde de Teresina, que trata de uma audiência pública realizada pelo Ministério Público Estadual sobre a revitalização da Praça Rio Branco e a inclusão do Coreto na Praça Rio Branco.

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