segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Nome dos Bois


Qual é a maior festa popular brasileira? Para um carioca, a resposta será óbvia. Para os nordestinos, será também óbvia, mas diferente. Enquanto aqueles gritarão “carnaval”, estes dirão “festa junina”, sem pestanejar. Mas a grande nação brasileira do Norte, que se estende do Maranhão até os confins da Amazônia, retrucará que como a festa do boi não tem.

  • E no Piauí: Qual a Festa Mais Popular do Nosso Povo? Apresentaremos aqui algumas das festas que mais traduzem a riqueza da cultura popular da nossa gente. 

O Reisado de Boa Hora - Pi

O reisado de Boa Hora é uma festa secular cultural e religiosa muito popular na região. A simplicidade é a principal característica do reisado de Boa Hora. As indumentárias são feitas de forma artesanal e pelos próprios brincantes. As cantadeiras usam roupas comuns e carregam uma toalha de chita, através da qual segura a imagem de Santos Reis. As roupas dos caretas são feitas de palhas do buriti e eles usam os chinelos para dar um tom e ritmos á brincadeira e máscaras feitas da péle de animais para cobri o rosto.

  • A animação vem também de um sanfoneiro e um mandador (cantador) que fazem à apresentação e animação do boi. Os bois são feitos do talo do buriti palmeira típica da região e coberto por um pano de chita (péle do boi). Os tiradores de reis saem de casa em casa em peregrinação durante seis noites pagando suas promessas pelas graças alcançadas.

A dinâmica é apresentada por todos os bois, primeiro às cantadeiras se apresentam cantando nas portas das casas, o dono da casa recebe o Santo se aceitar o reisado coloca o boi para brincar, se não pago só a esmola do santo, depois à danças dos caretas e em seguida a dança do boi e assim seguem durante seis noites. O reisado de Boa Hora começa no dia 31 de dezembro e encerra no 6 de janeiro de cada ano.




Os Festejos de São Raimundo Nonato em União - PI

Os Festejos de São Raimundo Nonato realizado na cidade de União - Pi, no mês de agosto e a passeata do dia nacional dos vaqueiros que acontece a mais de 50 anos no dia 29 de agosto reunindo mais 1.000 vaqueiros.



Mas é em Parintins, no estado do Amazonas, que a festa do boi-bumbá atinge seu ápice. No bumbódromo, que comporta 35 mil pessoas, a multidão assiste a um espetáculo (Felliniano? Holliwoodiano? Carnavalesco?) que envolve milhares de pessoas, fantasias, carros alegóricos, luzes, dançarinos, cantores, efeitos especiais e muita música.

Diferente da Marquês de Sapucaí, a festa aqui é maniqueísta. Há somente duas agremiações, o boi Caprichoso e o Garantido, o Azul e o Encarnado, reminiscência de outras festas de origem medieval, trazidas pelos chamados “soldados da borracha”, pioneiros nordestinos que se embrenharam pelas matas acompanhando o curso dos grandes rios.

A rivalidade é tanta que os partidários de um só se referem ao outro como “o boi contrário”. Quando um entra em cena, a torcida adversária faz silêncio, só percutindo as suas matracas, lá chamadas de palminhas, depois que o primeiro se retira. Existe até nota para o comportamento da torcida. O júri decide quem fez a melhor apresentação, com pressão, chicanas, jogos de cena e apelações por parte dos dirigentes, como nos carnavais sulistas.

As toadas caprichosas e garantidas são vendidas, distribuídas e cantadas em toda a Amazônia, ultrapassando fronteiras.

Chegar lá é uma aventura. Ou avião (e os vôos lotam com muita antecedência), ou barco, pois estrada não há. Parintins fica na ilha de Tupinambarana, na margem direita do rio Amazonas, a 420 km da capital. Do porto de Manaus, no rio Negro, saem dezenas de embarcações, grandes e pequenas, equipadas com camarotes, cabines ou simples redes, levando os aficionados rio abaixo.

A viagem leva cerca de 18 horas, e normalmente são comprados pacotes que incluem hospedagem no próprio barco. A população da cidade, de cem mil habitantes, dobra nessa época, e a única solução viável é a pousada aquática. A volta demora 24 horas, rio acima.

Um outro Brasil, que aos poucos vai sendo descoberto pela televisão pelo potencial imagético, e que exibe uma musicalidade ainda desconhecida para muitos brasileiros. E se, como aconteceu no Carnaval carioca, existirem nesse meio compositores mais autorais, criadores, inovadores, originais em sua visão poética de mundo? Haverá algum Silas de Oliveira ou Mano Décio da Viola perdido na beira de um igarapé, compondo suas toadas em homenagem aos mitos amazônicos e universais?

Parintins, ilha e elo entre as várias nações que compõem este país, ainda tem muito a revelar.

Por: Daniel Brasil

Um comentário:

  1. Eu DUVIDO que exista no PIAUÍ um festejo maior que o de Santo Antonio em CAMPO MAIOR - PI.

    Só o Leilão vira a Noite.

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