quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Difícil (e necessária) Auto-Crítica


  • Caros colegas leitores e seguidores do dia a dia do nosso blogger, já estamos há mais de dois anos organizando aqui nesse espaço uma impressão sobre a história da música em terras piauiense. No entanto, parece que quando se trata de resgate histórico musical, nada é tão simples assim... Qualquer tipo de análise é insuficiente – todas elas ficam a margem de algo mais difícil de definir, que é sua importância dentro de um determinado contexto de uma determinada época.

Acho importante traçar um panorama, por menor que seja, desse trabalho que desenvolvemos, buscando dentro de uma autocrítica, refletir sobre textos produzidos até aqui.

Não dá para tentar dar conta de uma complexidade que é muito maior do que qualquer texto que façamos. O mundo não cabe em uma garrafa – mas a gente sempre tenta prender aquilo que escrevemos dentro de um conceito ou uma expressão inteligente.

É óbvio que precisamos escrever, e não temos muito tempo para isso. E sempre que escrevemos um novo texto, sabemos que podemos estar diminuindo alguma coisa, cometendo algum tipo de injustiça ou até mesmo exagerando nos elogios.

  • Como dar conta de tudo isso, como não ser injusto e dar a atenção necessária quando não existe tempo suficiente para se pesquisar?

Não tem jeito – quando se trata de música, escrevemos sobre aquilo que gostamos. O problema é que não dá para escrever sobre o que você gosta e ignorar o resto. Não dá para criar um mundo particular, escrever sobre ele, legitimá-lo e achar que o resto não existe. Mas a gente faz isso direto. Pior: fazemos na maior boa vontade, com as melhores intenções, achando que temos o direito de educar todo mundo.

Precisamos fazer o contrário também – além de olharmos para o que está acontecendo no dia a dia, é preciso que se fique atento à aquilo que é invisível aos olhos, é preciso procurar o que não aparece em lugar nenhum, mas que faz a diferença.

O importante é que temos a consciência de que só com humildade, muita pesquisa e uma bela dose de ousadia vamos conseguir escrever um texto com alguma propriedade. Imagino que seja como compor uma obra orquestral: vai dar o triplo de trabalho, vai doer, vai ser difícil terminar, vai soar estúpido mesmo depois da décima quinta revisão. Mas a gente tem que ir lutando para atingir aquilo que queremos alcançar. Mesmo que isso signifique mais uma madrugada em claro, mais um café, e uma humildade gigante para virar para um cara que sabe aquilo mais que você e perguntar: o que eu estou escrevendo faz sentido? Está coerente?

Aos poucos, tento fazer o melhor que posso – e transformar esse melhor todo dia, até que ele transforme-se em algo de qualidade e seja um orgulho para mim.

  • É para isso que estamos aqui – para transformar nosso amor pela música em texto. Mas não dá pra fazer isso sem ter consciência daquilo que não somos, e não vamos ser nunca.

3 comentários:

  1. Às vezes é muito difícil ouvir críticas, principalmente quando a nossa opinião sobre o próprio trabalho é positiva. É um “balde de água fria”! Porém, temos que estar preparados para ouvi-las, afinal sempre precisamos melhorar, nunca seremos perfeitos.

    Eu geralmente olho meus trabalhos e talvez no momento até ache bom mas, é certo que pouco tempo depois eu olho pra aquilo e acho ruim, acho que poderia ter feito melhor. E de fato, sempre podemos fazer melhor. Se não pensarmos assim nunca cresceremos.

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  2. Se puder, tente tornar o artigo mais imparcial. ...

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  3. Rocha...Sua iniciativa é maravilhosa, seus textos são de um riqueza memorável...
    Só queria te pedir para referenciar as fontes de pesquisa usadas para suas postagens.

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