sábado, 3 de setembro de 2011

Torquato Neto: O Gênio Injustiçado da MPB



  • Torquato Neto foi um dos mais relevantes e criativos personagens do meio cultural brasileiro entre as décadas de 1960 e 1970. Sua atuação se deu em vários campos e movimentos, sendo balizada pela tomada de posição sempre vigorosa em favor dos princípios nos quais acreditava. Poeta, letrista de canções populares, crítico musical, polemista, jornalista e cineasta, Torquato converteu-se em um dos principais agentes formadores de critérios valorativos da música popular brasileira contemporânea.

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina, 9 de novembro de 1944Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972) foi um poeta, jornalista, letrista de música popular, experimentador da contracultura brasileiro. Torquato era filho de um promotor público com uma professora e residia em Teresina até o inicio dos anos 60 quando mudou-se para a cidade de Salvador - Ba, aos 16 anos para os estudos secundários.


O movimento tropicalista, também conhecido como Tropicália, marcou época no Brasil. No final da década de 1960, a partir dos festivais de música, a Tropicália passa a compor a cena cultural brasileira tendo Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto e Tom Zé como alguns dos seus principais mentores.


  • A personalidade combativa e a incapacidade de fazer concessões podem ser apontadas como fatores determinantes para que sua figura passasse a ocupar um lugar de subalternidade em nossa historiografia cultural. Estas são indicações importantes para esclarecer alguns dos porquês deste artista ter entrado para a história como uma espécie de coadjuvante maldito cuja imagem oscila entre a do letrista suicida e romântico da tropicália, e aquela do “mito do poeta morto jovem”, erguido sob a égide da contracultura. Como salienta seu biógrafo Toninho Vaz (2005: 11), Torquato tornou-se um “tema-tabu”.


Por não ser cantor ou instrumentista, Torquato não conseguia sobreviver só da música e tirava seu sustento da atividade jornalística realizada na agência de notícias criada no Aeroporto Internacional do Galeão (antes de se transferir para o Jornal dos Sports, em 1967). Paralelamente, escrevia poemas para serem musicados pelos amigos. Entre 1965 e 1966, compôs diversas canções em parceria com nomes como Gilberto Gil e Edu Lobo, entre outros. Influenciado pelo modernismo brasileiro dos anos 20, Torquato agia, ainda, como uma espécie de ideólogo que pensava as intervenções artísticas escrevendo textos críticos e manifestos (Vaz, 2005).

  • Um dia após completar 28 anos de idade, em 10 de novembro de 1972, ligou o gás do banheiro e suicidou-se. Deixou um bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar"

2 comentários:

  1. A MPB esquecida de um País atualmente mergulhado na miséria cultural. Os anos 1960-70 são o grande palco da arte, do sentimento, da emoção, da cultura e da criatividade do povo brasileiro. Belíssimo Torquato. Extraordinário com sua poesia. Só podemos dizer OBRIGADO!

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  2. Torquato é realmente um gênio que não deveria ser esquecido, mas sim cultuado por todas as gerações.Eu só vim conhecer o seu trabalho nos anos 90, pois quando ele faleceu em 72, só tinha 04 anos.É lamentável uma morte tão prematura de quem tinha tanto para deixar em benefício da sociedade em termos de poesia, cultura. Torquato não resisitiu a mesmice, a contra-cultura, a uma nova realidade que se desenhava, onde não tinha espaço para os gênios.

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