sábado, 2 de julho de 2011

I Festival de Música Instrumental de Teresina


  • Acontece de 04 a 09 de Julho na cidade de Teresina o "I Festival de Música Instrumental de Teresina", uma boa oportunidade para os músicos da cidade apefeiçoarem-se com excelentes professores de nivel internacional e para a cidade que ganha em um mês de férias uma movimentação com uma intensa atividade musical.
Os festivias de música ou festivais de inverno como queiram, têm em Campos do Jordão seu grande modelo. O Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, que chega a sua 42ª edição como o maior evento do gênero na América Latina, foi criado em Estado de São Paulo pelo compositor Camargo Guarnieri, em 1970. Em 1973, no entanto, a chegada de Eleazar de Carvalho à direção artística do evento daria a ele a estrutura que o caracteriza até hoje: a mescla entre cursos de música e uma extensa programação de concertos.
  • Este modelo de festival de música acabou disseminando-se no pais e é chamado pelo maestro Reginaldo Carvalho de Piquinique Musicais”.
O principal papel de um festivial de música é tentam suprir a falta de escolas regulares de música, oferecendo aulas e master classes, permitindo aos alunos fazer contatos, conhecer repertórios diferentes, ouvir profissionais de boa qualidade e tocar em conjuntos especialmente formados para os festivais. Ao mesmo tempo, levam para a cidade em que se instalam uma programação musical a que a maioria delas pouco tem acesso ao longo do ano.



A formação da maioria dos jovens músicos piauienses se faz por meio de projetos sócio-educativos espalhados nos diversos municipios, como os oferecidos em Teresina pela Fundação Mosenhor Chaves através dos projetos "Banda Escola", "Orquestra Escola" e "Violão na Escola". Poucos podem ter uma formação básica formalizada, continuada e consistente por falta de escolas públicas de ensino musical. As exceções são o curso de música da UFPI, o curso técnico do Instituto Federal do Piauí (IFPI), antigo Cefet, e da Escola de Música de Teresina.
  • Outros organismos como o Música Para Todos e a Emap (Escola de Música Adalgiza Paiva) são projetos que fazem o papel de oferecer cursos gratuítos mas não conseguem suprir a falta das escolas públicas de música.
Então: seguindo essa tendência, ainda que tarde, a cidade de Teresina realiza o I Festival de Música Instrumental de Teresina, uma iniciativa da Prefeitura Municipal de Teresina através da Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves que há vinte e cinco anos fomenta as artes em Teresina-Pi.
  • O importante é que a cidade que já faz muito pela música através de diversos projetos e iniciativas, sendo exemplo regional, percebe que um festival de música é uma excelente oportunidade para promover a difusão e o ensino de música para todos.

sábado, 4 de junho de 2011

O Pionerismo da EMAP


  • Olá amigos que acompanham este blog, pedimos desculpas porque estivemos um pouco inativo no mês de maio devido a outras obrigações. Para começar o mês de junho, uma analise superficial sobre a importância do trabalho desenvolvido pela EMAP [Escola de Música Adalgiza Paiva] a parti de 2002 na UFPI, sob a direção do maestro Luizão Paiva.
Imagine uma escola de música popular profissionalizante instalada no interior de uma Universidade Federal com o firme propósito de formar músicos que estejam em coerência com as exigências que o mercado da musica requer.


Foi com esse propósito que em 2002 o maestro Luizão Paiva instalou na UFPI, a EMAP (Escola de Música Adalgisa Paiva). Uma escola livre onde as aulas de diversos instrumentos e técnicas musicais (piano, teclado, acordeon, guitar, bass, violino, violas, cello, flauta, saxofone, trompete, trombone, drums, composição, arranjo, etc.), são ministradas por mestres instrumentistas práticos. A relação da EMAP com a prática e o conjunto resultou em bons resultados em seu trabalho de formação musical.

  • A principal filosofia da EMAP sempre foi ser uma escola prática, onde o conteúdo teorico existe em função da pratica musical, ou seja: os alunos estudam para um fim especifico: TOCAR COM QUALIDADE PROFISSIONAL, o que parece obvio, mas quem conhece a realidade do ensino de música no Brasil sabe que esse é  o “Calcanhar de Aquiles” da maioria das escolas de musica do nosso país.
A EMAP iniciou suas atividades em 2002 nas dependências do DEA (Departamento de Educação Artística), espaço físico da UFPI destinado a formação de professores de arte (com habilitação em desenho, artes plastica e música, enquanto um anexo destinado a sede da escola era construido dentro do DEA. Quando a EMAP iniciou suas atividades nas dependências do DEA haviam poucos músicos entre os alunos do curso de artes e a EMAP já em seu primeiro seletivo consegui lotar aquele departamento com músicos iniciados que pretendiam apefeiçoar seus conhecimentos musicais.

  • A EMAP deu uma outra vida musical para DEA/UFPI, principalmente a parti de 2005 quando muitos de seus alunos entraram para o curso superior de educação artistica com habilitação em música provocando um outro olhar de mudanças para o departamento o que veio acontecer posteriomente a parti de 2008.
A EMAP nasceu do sonho do músico e senador da republica Alberto Silva e realizou-se a parti do momento em que o maestro Luizão Paiva, com reconhecidissima carreira musical como pianista jazzistico resolveu aceitar o convite de se radicar no estado do Piauí e dirigir o projeto. É inegável que por um lado o apoio político foi fundamental para criação da escola, mas por outro criou um certa oposição gratuita de muitos que eram ligados a outras correntes politicas e ficavam sempre torcendo para o projeto se inviabilizar.


Nos anos entre 2003 e 2009 a EMAP se transformou em um centro de referencia para os que pretendiam estudar música em Teresina. Ali jovens músicos das diversas regiões periferica da cidade e outros das áreas mais nobre se integravam com um objetivo comum: FAZER MÚSICA COM QUALIDADE PROFISSIONAL.

  • Muitos grupos musicais formados a parti das aulas de práticas de conjunto da EMAP passaram a atuar profissionalmente ou se perpetuar extra-escola como é o caso da Orquestra Nostalgia formada a parti da formação da Big Band EMAP com coordenação do prof. Rocha Sousa.
A EMAP com sua proposta de ensinar música popular e jazz antecipou no PIAUÍ ainda no ano de 2002, uma tendência que só anos depois passaria a integrar as boas escolas de músicas e conservatórios brasileiros.
  • A presença da EMAP no cenário do ensino da música popular redirecionou a forma de se estudar música em Teresina.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Simplicio Cunha: Um Mestre Multinstrumentista

  • Natural de Luzilândia - Pi, nascido em 1932, filho de Antônio Rodrigues da Cunha, aos 08 (oito) anos, já tocava cavaquinho nas festas com  seu pai que tocava harmônica de 08 (oito) baixos e tinha um conjunto formado só com os filhos. Aos 16 anos de idade, Simplício teve que se mudar para a cidade de Parnaíba-Pi, pois tinha que acompanhar seus pais que se mudava para aquela cidade.

Chegando em Parnaíba adquiriu seu primeiro instrumento de sopro, um clarinete. A parti de então iniciou sua aprendizagem de forma autodidata e em poucos dias já tocava várias músicas e assim continuou a tocar por 05(cinco) anos, depois deste periodo conseguiu também um saxofone e passou a estuda-lo, não demorou muito e logo em pouco tempo se tornou um dos melhores saxofonistas da cidade de Parnaíba passando a fazer parte dos melhores conjuntos musicais da cidade.

Com o sucesso musical veio também o reconhecimento por parte de muitos músicos e admiradores da música, que passaram a aconselhá-lo que ingressasse na Polícia Militar como músico. Só em 1958, ingressou como soldado nas fileiras da Polícia Militar do Piauí. Ali passou por varias graduações até atingir o posto de 1º Tenente-Regente sendo aposentado como Capitão. Na PMPI participou do conjunto “Os milionários” gravando um disco LP como solista de saxofone e clarinete e autor de quase todos os arranjos da gravação.


Foi também Presidente da Ordem dos Músicos do Brasil, Secção do Piauí por mais de 03 (três) anos consecutivos, chegando a realizar na sua gestão grandes trabalhos em prol da valorização do músico.

 Além de instrumentista Simplício de Morais Cunha é compositor e arranjador. São de sua autoria mais de 40 composições de diferentes gêneros que fazem parte do repertório de diversas bandas de músicas brasileiras dente estas as bandas do 25º BC, da PMPI, da Prefeitura Municipal de Teresina, do IFPI, dentre outras. 

Sempre na procura de  melhorar seus conhecimentos musicais, o Maestro Simplício viajou por várias capitais do nosso estado, como: Brasília, Fortaleza, São Luis, Rio de Janeiro onde participou do 2º Encontro Nacional de  Educação Artístico Musical realizado pelo Conservatório Brasileiro de  Música do Rio de Janeiro, oportunidade em que manteve contato com outros grandes maestros brasileiros do meio musical das bandas de música, como: Abel Ferreira, Joaquim Naegeles, dentre outros.

  • Como regente atuou nas bandas da PMPI, da Banda 16 de Agosto, Bandas Infanto-juvenis do bairro Pro morar, Lourival Parente e Banda Municipais de Interior do Estado como, Batalha e Barras. 
  • Fez parte como instrumentista do grupo de choro “Turma do Chorinho”,  dirigido por José Lopes dos Santos nos anos de 1977 e 1978.

Na  sua carreira musical, com mestre de bandas já fazem mais de  30 (trinta) anos que leciona para alunos das mais variadas faixas-etárias, desde crianças, jovens e adultos, onde na sua maioria todos se tornaram grandes profissionais da música.

Além de tocar quase todos os instrumentos musicais de sopro, Simplício também aprendeu a tocar violão e piano, o último é o preferido para compor e fazer arranjos, mas não escondem a sua preferência pelo saxofone, clarinete e a  flauta transversal.

Simplicio também é um dos poucos músicos que conseguiu gravar suas músicas. Em 2001,  gravou o Cd Dissonância de um sax I, em 2004 gravou o Cd Dissonância de um Sax II e recentemente gravou o seu terceiro Cd, um trabalho musical que demonstra ainda uma nova habilidade musical descoberta pelo maestro a pouco tempo, a poesia, aplicada nas letras das músicas cantadas, todas de sua autoria. Na intenção de compartilhar das suas composições em família, Simplício contou com a participação de seus filhos: Maria Lúcia, Waldir Lima e Tenente Lima.

E assim o Maestro Simplício continua com seus trabalhos criativos e variados como podemos observar a variedade de gêneros nas composições da relação abaixo:

ABAIXO ALGUMAS DAS COMPOSIÇÕES DE
SIMPLÍCIO DE MORAIS CUNHA

  • Dobrado 21 de Abril - Banda de música
  • Dobrado 13 de Março - Banda de música
  • Dobrado 15 de Agosto - Banda de Música
  • Dobrado Dever do Aluno - Banda de Música
  • Canção da PMPI - Banda de Música
  • Fantasia Sinfônica - Banda Sinfônica
  • Estudo Sinfônico - Banda Sinfônica
  • Mambo do Piauí - Jazz Band
  • Relembrando um Clariente - Jazz Band
  • Frevo Mincharia - Orquestra de Frevo
  • Dissonância de um Sax - Chorinho

terça-feira, 17 de maio de 2011

Alberto Silva: Um Músico Na Politica

Alberto Silva [10/11/1918 a 28/09/2009]
  • Muitos o conhecem mais por seu trabalho realizado na politica piauiense como governador, senador e deputado, cargos que exerceu durante varios madatos pelo estado do Piauí. Profissionalmente ele se notabilizou como um administrador público ousado e de visão, porém poucos sabem, que por trás desse perfil de uma grande personalidade da nossa politica havia também uma faceta artistica pouco divulgada.
Dr. Alberto Tavares Silva, um dos maiores politicos da história recente do estado do Piauí era também um grande músico. Um pianista de mão cheia como dizem os músicos na giria musical ao se referi ao grande músico pianista. Com um vasto repertório voltado para a música popular e erudita o Dr. Alberto como era mais conhecido nunca abandonou seu instrumento que segundo Dona Floriza (sua esposa), quando jovem estudante, ele já exercia profissão de músico tocando piano nos trajetos de navio de Fortaleza ao Rio de Janeiro. Assim ajudava entreter a tripulação, economizava a passagem e ainda ganhava uma grana durante o percurso.

Segundo o jornalista Willame Tito em sua coluna Cultural "Bravo" publicada no Portal 180 graus, ele afirma que teve oportunidade de ver e ouvir uma das performance do Dr. Alberto ao Piano. Confira abaixo a publicação:
  • "Pouca gente sabe, mas, o político, engenheiro, Alberto Silva, também era músico. Educado nos rigores clássicos do século passado, Alberto tocava piano. Além de ler partitura (pura matemática), também tocava de ouvido.; Tive o prazer, em 1994, de ve-lo tocar em um teclado durante a campanha do então candidato a governador Mão Santa, na Íris Propaganda. Estava tocando um pouquinho, quando ele chegou e pediu para tirar umas notinhas. Começou com Garota de Ipanema em uma versão jazzística do clássico da Bossa Nova. Em seguida, mandou ver na música erudita. A notícia espalhou-se na agência e a platéia aumentou. Ao final, foi aplaudido. Ele agradeceu e disse: "...eu não toco nada, mas, aquele Luizão, é um diabinho..." (referindo-se ao sobrinho, maestro Luizão Paiva)."
Big Band da EMAP/UFPI
  • Um outro episodio interessante em sua vida musical e politica foi quando ele comemorou a vitória para o governo do estado em 1986 tocando ao piano uma composição de Debussy.
Como politico ele trabalhou muito pela música, principalmente pela educação musical. Na decada de 70 trouxe para o Piauí grandes professores de música e criou um grande Centro de Pesquisa que seria mais tarde transformado na Escola de Música de Teresina. Nesta mesma época implantou no Piaui a Universidade Federal do Piauí - UFPI, possibilitando assim a criação de um departamento de música naquela instituição que formou os primeiros professores acadêmicos de educação artistica com habilitação em música no estado.

  • No ano de 2002 criou na UFPI a Escola de Música Adalgiza Paiva - EMAP, que inovou na formação músical no estado introduzindo o Jazz e musica popular na educação musical piauiense.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Silêncio Nas Palavras

  • Dizem que uma foto vale por mil palavras. Nesse post publicamos algumas fotografias históricas que mostram nossos artistas e alguns grupos que marcaram época em importantes momentos da nossa música.

Grupo Artes Tupiniquim, apresentando-se no Teatro de Arena no inicio dos anos 90. Alguns dos componentes que conseguimos idetificar: Zé Rodrigues [flauta], Wilker Marques [clarinete], Nidia Monteiro [Celo], Luciano Santos [Violão].

Aqui, ao centro, idetificamos o cantor Roraima que pela foto não mudou muito nos ultimos anos. Os outros componentes da banda não consigo identificar.

Teatro de Arena em foto nos anos 90, o templo das artes mais democrático da cidade de Teresina.

Grupo Candêia, um dos grupos que marcou história na música piauiense e que infelismente não existem mais. Aqui o grupo foi fotogrado durante um ensaio nos anos 80. Dos componetes que idetificamos: Aurélio Melo [violão], Paulo Aquino [contrabaixo], Nonato Monte [Bateria].

Desta foto eu consigo identificar o cara do centro: é o músicio e compositor Rubenir Miranda.


Aqui a banda de música da Policia Militar do Piauí regida pelo maestro Sebastião Simplicio em 1952.

O velho GB, em pose nos anos 70 (acredito). Geraldo Brito é um dos nossos mais importantes músicos brasileiro (não confundir importância com popularidade), aqui no Piauí. Sua trajetória como músico e compositor carrega uma grande bagagem musical através de sua vivência no iê iê iê, nos festivais anos 70/80, na música regional, na mpb e no jazz. Um dos mais completos Guitar da nossa música.

Esse ai é Edivaldo Nascimento, digno representante do nosso rock, aqui em foto pra lá dos anos 80.


Um encontro histórico: Juntas, lá atrás, as professoras Glinia Daniel e Nidia Monteiro. Ambas, dirigindo um turma de musicalização na Escola de Música de Teresina no final dos anos 80.

  • Em recital nos anos 80: José Nunes [Flauta], Nidia Monteiro [Cello], Verônica Lapa [Piano], e Maristela Gruber [in voice].

domingo, 3 de abril de 2011

Clodo, Climério e Clésio: Os Irmãos Piauienses

  • Os versos de ´Revelação´, música dos irmãos piauienses Clôdo e Clésio, foram ao ar no Fantástico, em uma noite de 1978, como trilha de um clipe produzido para a canção interpretada pelo cearense Raimundo Fagner. A canção ficou entre as músicas mais tocadas nas emissoras de rádio de todo o país nos dois anos seguintes.
"Revelação" é apenas a música que os revelou como compositores e interprete para o grande público, no entanto, desde dos anos 60 que os irmãos já estavam na luta em busca de um espaço como artista.

Antes de "Revelação" em 1976 eles já haviam experimentado o sucesso nacional com a música “Enquanto engomo a calça” uma composição de Ednardo com Climério.

  • O primeiro disco de Clodo, Climério e Clésio veio em 1976, a convite do cantor cearense Ednardo com que mantinham parceria. Assim nasceu “São Piauí” o primeiro disco do trio.

  • O segundo disco,Chapada do Corisco, foi produzido por Fagner. Dominguinhos produziu o terceiro disco,Ferreira”. Os outros três discos foram gravados em Brasilia e lançados de forma independente.

Clodomir, Climério e Clésio Ferreira são irmãos e nasceram no Piauí. Radicados em Brasília desde 1960, são compositores fundamentais na MPB. Clodo é um dos responsáveis pelo sucesso popular de Raimundo Fagner. É dele a canção “Revelação” que colocou Fagner nas paradas de sucesso e o consagrou junto ao grande público.

Nara Leão compôs apenas uma música em sua vida , em parceria com Fagner e Fausto Nilo e essa música se chamou “Cli-Clé-Clô” em homenagens aos 3 irmãos compositores. A canção foi gravado por Nara em seu LP “Romance Popular” de 1981.
Clésio Ferreira faleceu em 07/07/2010 em Brasilia.

Depois da era do vinil, Clodo Ferreira e Climério continuaram em carreiras solo e gravaram alguns CDs. Clodo é o que mantém sua carreira artística mais ativa, realizando apresentações mais constantes em Brasília.

  • Os irmãos Ferreira levaram o Piauí para Brasilia. E eles ficaram conhecidos lá com essa temática. Que não era uma temática exclusivamente piauiense, era uma temática universal, porque eles também entraram nessa temática. Eles faziam versos, aparentemente, despretensiosos, mas. concisos, simples e profundos. Climério afirma que existe uma espécie de sotaque do Piauí nas músicas deles. Eles também tinham influências das músicas românticas e da música nordestina, como um todo.
  • Clodo, Climério e Clésio lançaram seis LPs, em vinil, por gravadoras e produções independentes. Tiro Certeiro é o primeiro CD destes compositores, que tem mais de 150 músicas gravadas por intérpretes como Nara leão, Fagner, Dominguinhos, Tim Maia e Os Cariocas, Simone, MPB-4, Elba Ramalho, Ednardo, Amelinha, Zizi Possi, Fafá de Belém, Marlui Miranda, Ângela Maria e outros.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Banda PMPI e o Conjunto "Os Milionários"

Banda PMPI / 1962
  • As dificuldades de acesso existente até o inicio dos anos 70 do sec. XX, aos mais distantes municípios do Piauí a parti da capital, fizeram com que a banda de música da Policia Militar do Piauí fosse ao longo de muitos anos a única forma de cultura estatal que se fazia presente nesses municipios.

Pesquisando a história da Banda de Música da Policia Militar do Piauí, percebe-se que desde sua criação em 1875 até 1971 (antes da modernização do estado pelo governo Alberto Silva), que a mesma, exercia um papel papel politico cultural que estrapolava as atribuições de uma banda de música de concerto e desfile. A mesma atuava como uma espeicie de centro de difusão da cultura musical no estado.

Para entender melhor o papel exercido pela "Banda PMPI" na época em questão, é necessario que se faça algumas considerações sobre aquele momento hitórico:

  • Não existia naquela época no estado um orgão que fizesse as vezes de uma Secretaria de Cultura;
  • A banda não exercia apenas sua atividade fim (tocar em solenidades), também fazia um trabalho de educação musical formando seus musicos através de sua propria escola de música;
  • Por ser a única referência musical ligada ao gorveno do Piauí seus mestres eram constantemente deslocados para vários municipios a fim de formarem bandas, como por exemplo: o mestre Sebastião Simplicio nas cidades de Valença - Pi e União - Pi; o mestre Pigoreiro nas cidades de Amarante e Piripiri; e o mestre Luiz Santos na cidade de José de Freitas, dentre outros.

A Banda PMPI além de atender as funções oficiais junto ao cerimonial militar da PMPI, atender ao cerimonial do governo do Estado do Piauí e atender a comunidade em geral, atendia ainda uma extensa agenda de apresentações musicais junto aos municipios, pricipalmente nos periodos das festividades religiosas.

Para atender a demanda de solicitações da época, a Banda PMPI mantinha varias formações musicais em seus quandros, como: as bandas de música, os jazz-band, os conjuntos musicais e até uma orquestra de cordas no inicio do sec. XX como nos aponta algumas fontes escritas dos anos 20.

  • Até o final dos anos 50, essas formações viviam uma rotina de deslocamento por todo o estado, viajando em cima de caminhões sem condições de segurança e sem o minimo conforto para os músicos. Trafegavam sobre estradas de chão que somente a força de um comando militar para fazer cumprir tão arduas missões. Essa rotina só se modificou quando no inicio dos anos 60 foi criado a Banda da PMPI nas cidades de Picos, Floriano e Parnaiba.
Jazz Band da PMPI no Inicio dos Anos 40 comanda pelo Brigada Sebastião Simplicio.

O CONJUNO "OS MILIONÁRIOS"
No inicio dos anos 60 do sec. XX, a produção da música de entretenimento passava por mudanças radicais. As orquestras de salões ou jazz bands que estiveram em volga desde o inicio do século davam lugar as novas formações musicais advinda da revolução causada pela amplificação eletrica e sua utilização nos instrumentos musicais. Surgem então os modernos conjuntos musicais, uma formação bem mais leve que as grandes orquestra de música popular, composta apenas por uma seção de base-harmônica: guitarra, contrabaixo, orgão e bateria jazz e uma seção de metais.

Buscando adequar se aos novos tempos em 1963 a PMPI cria o conjunto "Os Milionários". A organização do novo conjunto ficou a cargo do maestro Luiz Santos que para isso contava com integral apoio do comandante da corporação o Coronel Torres de Melo. O nome do grupo "Os Milionários" é uma homenagem ao compositor José Bispo integrante da Banda PMPI e autor da música "o milionário" um dos sucesso do conjunto.
  • Os locais onde antes era animando pelo Jazz Band da PMPI como as tradicionais tertúlias do famoso Clube dos Diários de Teresina, passaram a contar também com a presença do Conjunto "Os Milionarios".
O conjunto "Os Milionários" se tornou muito popular e muitas vezes teve que tocar em outros estados como o Ceará e o Maranhão a convite do governo daqueles estados. O governo do Piauí, de tão grande entusiasmo, mandou trazer diretamente de Fortaleza a gravadora Orgacine, que, ao chegar em Teresina, instalou-se nos estúdios da Rádio Pioneira e gravou long play com "Os Milionarios".
A gravação do LP teve prensagem na RCA Victor de São Paulo. Dentre as canções que compunham o LP estavam: “Baião da Saudade” e “Simplício e seu Clarinete”, (de Luis Santos); “Milionário” (José Bispo); “Linda” (Bruno do Carmo) e “Olha a Bossa” (Simplício). Esse histórico LP foi gravado em 1965 e Os Milionários era composto por: Simplício Cunha (saxofone e clarinete), Edilson Setúbal (piano solovox), Artur Pedreira (bateria), Lourival Marques (baixo), Bruno do Carmo (guitarra), Gabriel Oliveira (percussão) e João de Deus (cantor). Segundo as informações do maestro Luis Santos, o conjunto atuou de 1963 a 1970.

Os Milionários da PMPI
  • A banda PMPI também teve outros conjuntos musicais mas todos foram disolvidos até o final dos anos 70.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Luizão Paiva no Mundo da Música


  • Luizão Paiva concedeu uma entrevista ao Portal Medplan e fala sobre sua carreira musical como maestro, compositor e instrumentista. Com os devidos créditos ao Portal Medplan em seu quadro "Retrato 3/4 de quem é 100/100", julgamos importante transcrevemos a entrevista aqui no "História e Música no Piauí".
Matéria: "Luizão Paiva: Um Piauiense Notável no Mundo da Música".
Publicação Original: Portal Medplan
  • Através do toque suave das notas tocadas no piano, o músico Luiz Paiva compôs e interpretou com grandes nomes nacionais e passou por platéias do mundo todo mostrando seu talento. Nesta entrevista, ele fala da carreira e de seus projetos.
Luiz Paiva é um piauiense que rodou o mundo mostrando seu enorme talento como pianista. Tocando piano desde os seis anos de idade, Luizão Paiva, como é conhecido, descobriu a música através de sua avó, a maestrina Adalgisa Paiva, que foi aluna de Villa Lobos. Por insistência dela, o jovem talento foi viver em São Paulo, para estudar no Colégio Arquidiocesano, que tinha em sua grade curricular o ensino de música.
Para atender a um desejo do pai, Luizão Paiva ainda estudou Engenharia até o terceiro ano, no Rio de Janeiro. Mas a paixão pela música falou mais alto, e sua escola se tornou a Escola de Música Pró-Arte, no Rio. Depois seguiu para os Estados Unidos, onde tornou-se Bacharel em "Professional Music" (composição, arranjo e performance), na Berklee College of Music, em Boston. Apresentou-se em vários jazz clubs e recebeu da Berklee College Of Music o prêmio "Lennie Johnson ", por mérito musical.
Uma das primeiras composições de Luizão foi a trilha sonora de abertura da primeira versão da novela "Roque Santeiro", produzida pela TV Globo. Como instrumentista, trabalhou na peça "Gota d'Agua"com Chico Buarque e sob a direção de Dorival Caymmi. Trabalhou também com Bibi Ferreira na peça “Brasileiro: Profissão Esperança”. Tocou ainda com cantores importantes da MPB; entre eles, João Bosco, Nana Caymmi, Moraes Moreira, Carmem Costa, Nora Nei e Jamelão. Com a família Caymmi, fez temporada no "Blue Note", em New York e na Europa.
Depois de trinta anos acompanhando cantores pelo mundo, Luizão Paiva voltou a Teresina, onde montou a Escola de Música Adalgisa Paiva, na UFPI. A EMAP é mantida através de convênio com a SEDUC – Secretária de Educação do Estado, e realiza o trabalho de formar músicos profissionais para o mercado. Antes de uma apresentação em Teresina, Luizão concedeu uma entrevista ao portal Medplan. Confira.

- De onde vem tão rica herança musical?

Minha bisavó, mãe da minha avó, dona Alípia de Paiva, cantava muito bem. E havia minha avó, Adalgisa Paiva, que teve influência mais forte. Ela estudou com Villa Lobos, um dos maiores maestros que o Brasil já teve. Durante um ano e meio no Rio de Janeiro, ela fez um curso de música e trouxe seu aprendizado pra cá. Foi uma das pioneiras aqui no Piauí.
- Como foi sua introdução no mundo da música?

Aprendi piano com a minha avó muito cedo, depois estudei no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, com um mestre italiano. Fui para o Rio de Janeiro, pra Pró-Arte, em Laranjeiras. Lá eu era aluno do Homero Magalhães, Hélio Sena, e toda uma turma boa. Só “cabeção” da música do Rio. Comecei a ser profissional quatro anos depois, com 20 e poucos anos, quando já tocava em bares do Rio de Janeiro. Meu professor até brincava comigo quando eu chegava, meio tonto, nas aulas pela manhã, depois de ter tocado a noite inteira no bar. Daí eu tocava um Bach*, mas numa roupagem meio “jazzista”. Aí o professor chegava pra mim e perguntava “Vais tocar Bach como se fosses um pianista de Jazz?” Mas eu sou um pianista de Jazz, respondia eu. Fiquei um bom tempo no Rio, e foi aí que eu comecei a conhecer as pessoas certas.
- Antes de se profissionalizar na música o senhor ainda cursou Engenharia. Como foi largar esta formação para se aperfeiçoar musicalmente?

Fiz Engenharia até o terceiro ano. Quando eu larguei foi uma confusão na minha casa. Meu pai era tabelião, me mantinha no Rio, e cortou a ajuda quando deixei o curso de engenharia. Minha mãe, então, passou a me apoiar, meio oculto, vendendo suas jóias e mandando a grana pra mim. Minha mãe é uma figura ! E também é musical. Toca piano e canta.
- E como se deu o seu ingresso no cenário internacional?

Quando eu comecei a trabalhar e a aparecer tocando com músicos famosos, fui pros EUA, me graduei em Boston, na Berklee College of Music, onde fiz graduação em Música . Mas não aguentei ficar nos EUA muito tempo e voltei pro Brasil, porque estava cansado do estilo americano. Eu estava lá há uns três anos ininterruptos, e se eu não voltasse pro Brasil eu teria "pirado". Trabalhei muito, estudei, ganhei bolsa, etc. Isso porque eu tocava muito bem, o que dava nome à escola. Fiquei até os 31 anos por lá. Fui casado daqui, meu primeiro filho, Luizinho, nasceu em Boston. Então me separei, e ele foi com a mãe pra França. Depois ele veio para o Brasil, e morou 6 anos comigo. Aqui no Brasil eu continuei fazendo meu trabalho. E viajava o Brasil todo, Europa e EUA com grandes cantores.

- Dos lugares nos quais o sr. tocou, qual deles mais valorizava a sua música?

O local que mais me jogou tapete vermelho foi a Alemanha, na Europa. Aqui no Brasil o músico é tipo um “peão”. Ele fica atrás e o cantor é quem leva os louros, é quem fica lá na frente. É quem ganha mais. O show é dele. A gente "acompanha". Mesmo assim, é uma experiência boa. Você conhece bastante gente. O Moraes Moreira, por exemplo - fiquei como parceiro dele. Fiz música com ele em novela e ele virou meu amigo. Todos eles viraram meus amigos. O Dorival Caymmi virou meu amigo; toquei com ele em Portugal, São Paulo, Rio de Janeiro. Na Alemanha cheguei a ser apresentado como o melhor pianista brasileiro.

- Dentre tantas apresentações pelo mundo, alguma foi mais marcante?

Uma vez eu estava tocando em uma cidade alemã, no tempo em que era Alemanha Oriental. Era o dia do meu aniversário, e eu estava tocando com um amigo argentino, Tony, que era do grupo “Raízes da América”, e com um percussionista americano. Fizemos um som de primeira qualidade, e a platéia toda achou incrível. Então o Tony falou que era meu aniversário. Todo mundo cantou parabéns em alemão, e fizeram um brinde pra mim. Também já aconteceu nos EUA várias vezes de eu tocar em grupos de funk, na época que estavam começando os grupos de funk americano, compostos só por negros. Eles não chamavam nenhum branco pra tocar. Quando me conheceram, passaram e me chamar. Eu toquei com eles e pediam pra fazer “aquele som do nordeste do Brasil...aquele baião”. Daí, juntavam com a música deles e era uma loucura. Eu toco jazz com as minhas influências brasileiras, e isso agradava muito.

- E de tantos estilos com os quais o sr. já teve contato, qual lhe agrada mais a ponto de escolher pra tocar pro resto da vida?

Cada um tem sua área. Eu sou “jazzista”, um “jazzman”. Agora, eu toco com todas as minhas influências brasileiras, como eu disse. Eu fiquei seis anos no Conservatório de Roterdã, na Holanda, pra ensinar “brazilian jazz” pra eles. O conservatório me contratava. Eu ia todo ano, passava 6 meses na Europa e 6 meses no Brasil. E eles aprendiam muito, assimilavam. Eu falava em português misturando espanhol e inglês na Holanda. E eles entendiam tudo e gostavam dessa mistura. Nas aulas tinha muita gente, mais de 30 alunos; e era divertido, porque além da música, havia o intercâmbio cultural.

Edison Machado e seu Sexteto na Boate Peaple no Rio de Janeiro em 1990
Músicos: Edison Machado - Drums, Luiz Alves - Bass, Paulinho - Trompete, Macaé - Sx tenor, Edson Maciel - Trombone, Luizão Paiva - Piano.
- Como foi o retorno ao Piauí?

Eu estava no Rio, casei novamente e tive outro filho. Nessa época, o Rio estava em uma “entre safra” musical. Aí eu pensei: por que não o Piauí? Eu já rodei o mundo, já toquei em tanto lugar: Europa, América do Norte...Pensei, então: por que não fazer um trabalho no Piauí? Por que essa discriminação? Então eu vou! Aí eu vim pra cá, e fui convidado pelo então senador Alberto Silva. Ele me chamou pra fazer um projeto pra UFPI junto com ele. Montamos, e hoje está aí, a Escola de Música Adalgisa Paiva, que foi um projeto meu e do senador Alberto Silva. Projeto consolidado que está formando bons músicos. A Emap é uma escola muito boa. Não conheço nenhuma igual no que ela se propõe a fazer, que é colocar músicos no mercado.

- O mundo da música é competitivo?

É competitivo numa boa, mas depende do lugar. Existem certos lugares em que o músico derruba o outro. Aqui no Piauí tem um pouco disso. Agora em outros lugares como na Europa, o cara vê outro tocando muito bem, vai pra casa e estuda pra tocar ainda melhor. A competição é assim, muito saudável. Nos locais culturalmente mais pobres, onde a influência do governo, a política, é muito forte, isso é utilizado para derrubar o outro. No Brasil, o músico ganha um vigésimo ou menos do que o cantor, e isso também é prejudicial.

- O que o sr. pensa sobre a produção musical atual, que vende produtos de qualidade duvidosa?

Mediocrizou tudo. Antigamente, nas paradas de sucesso das rádios populares, tocava “Travessia” de Milton Nascimento, tocava Chico Buarque, Tom Jobim, dentre "as 10 mais". Olha a diferença pra hoje: umas músicas horrorosas que não têm nenhum sentido, paupérrimas musicalmente ! Você espreme e não tem nada. Agora o engraçado é que nos EUA também existe esse tipo de coisa, de produtos musicais enlatados. Mas eles dão valor também às outras coisas. Aqui no Brasil não. O Chico Buarque é considerado velho. O cara é um artista, e artista não envelhece. O fator primordial para mudar isso é a educação. A educação é que é o grande fator de consciência. Difundir a música e transformá-la em História. Nos EUA o Frank Sinatra é um cara que é tema de teses científicas e aqui devia ser assim também. O Brasil ainda está muito atrasado culturalmente. E o Brasil precisa preservar sua cultura. Tem tanta gente que está esquecida por aí, como Pinxiguinha e outros poetas geniais. A preservação da cultura musical deveria ser uma coisa geral, que começasse nas escolas, ensinando música de forma obrigatória. Na época em que estudei em São Paulo, no Arquidiocesano, eu tinha no currículo escolar, dentre outras matérias, a música, o latim, o francês,e o inglês.

- Quais são seus projetos para o futuro?

Eu vim por causa da família. Estou no Piauí, mas estou aberto a fazer trabalhos fora. Vou ao Rio e a São Paulo. Talvez vá a Holanda produzir um disco da minha irmã, que mora lá e canta em bares. Se eu for, eu circulo e toco nos festivais. E outra coisa que eu desejo muito é poder escrever toda a minha obra. Está tudo digitalizado e são mais de 300 músicas, entre arranjos, composições jazzistas e composições pra orquestra. O que eu mais quero nesse momento é poder divulgar isso. Poder levar isso pra Europa quando eu for, e apresentar, pra ninguém dizer que eu deixei uma obra, mas sim que a fiz e apresentei em vida.