segunda-feira, 11 de abril de 2011

Silêncio Nas Palavras

  • Dizem que uma foto vale por mil palavras. Nesse post publicamos algumas fotografias históricas que mostram nossos artistas e alguns grupos que marcaram época em importantes momentos da nossa música.

Grupo Artes Tupiniquim, apresentando-se no Teatro de Arena no inicio dos anos 90. Alguns dos componentes que conseguimos idetificar: Zé Rodrigues [flauta], Wilker Marques [clarinete], Nidia Monteiro [Celo], Luciano Santos [Violão].

Aqui, ao centro, idetificamos o cantor Roraima que pela foto não mudou muito nos ultimos anos. Os outros componentes da banda não consigo identificar.

Teatro de Arena em foto nos anos 90, o templo das artes mais democrático da cidade de Teresina.

Grupo Candêia, um dos grupos que marcou história na música piauiense e que infelismente não existem mais. Aqui o grupo foi fotogrado durante um ensaio nos anos 80. Dos componetes que idetificamos: Aurélio Melo [violão], Paulo Aquino [contrabaixo], Nonato Monte [Bateria].

Desta foto eu consigo identificar o cara do centro: é o músicio e compositor Rubenir Miranda.


Aqui a banda de música da Policia Militar do Piauí regida pelo maestro Sebastião Simplicio em 1952.

O velho GB, em pose nos anos 70 (acredito). Geraldo Brito é um dos nossos mais importantes músicos brasileiro (não confundir importância com popularidade), aqui no Piauí. Sua trajetória como músico e compositor carrega uma grande bagagem musical através de sua vivência no iê iê iê, nos festivais anos 70/80, na música regional, na mpb e no jazz. Um dos mais completos Guitar da nossa música.

Esse ai é Edivaldo Nascimento, digno representante do nosso rock, aqui em foto pra lá dos anos 80.


Um encontro histórico: Juntas, lá atrás, as professoras Glinia Daniel e Nidia Monteiro. Ambas, dirigindo um turma de musicalização na Escola de Música de Teresina no final dos anos 80.

  • Em recital nos anos 80: José Nunes [Flauta], Nidia Monteiro [Cello], Verônica Lapa [Piano], e Maristela Gruber [in voice].

domingo, 3 de abril de 2011

Clodo, Climério e Clésio: Os Irmãos Piauienses

  • Os versos de ´Revelação´, música dos irmãos piauienses Clôdo e Clésio, foram ao ar no Fantástico, em uma noite de 1978, como trilha de um clipe produzido para a canção interpretada pelo cearense Raimundo Fagner. A canção ficou entre as músicas mais tocadas nas emissoras de rádio de todo o país nos dois anos seguintes.
"Revelação" é apenas a música que os revelou como compositores e interprete para o grande público, no entanto, desde dos anos 60 que os irmãos já estavam na luta em busca de um espaço como artista.

Antes de "Revelação" em 1976 eles já haviam experimentado o sucesso nacional com a música “Enquanto engomo a calça” uma composição de Ednardo com Climério.

  • O primeiro disco de Clodo, Climério e Clésio veio em 1976, a convite do cantor cearense Ednardo com que mantinham parceria. Assim nasceu “São Piauí” o primeiro disco do trio.

  • O segundo disco,Chapada do Corisco, foi produzido por Fagner. Dominguinhos produziu o terceiro disco,Ferreira”. Os outros três discos foram gravados em Brasilia e lançados de forma independente.

Clodomir, Climério e Clésio Ferreira são irmãos e nasceram no Piauí. Radicados em Brasília desde 1960, são compositores fundamentais na MPB. Clodo é um dos responsáveis pelo sucesso popular de Raimundo Fagner. É dele a canção “Revelação” que colocou Fagner nas paradas de sucesso e o consagrou junto ao grande público.

Nara Leão compôs apenas uma música em sua vida , em parceria com Fagner e Fausto Nilo e essa música se chamou “Cli-Clé-Clô” em homenagens aos 3 irmãos compositores. A canção foi gravado por Nara em seu LP “Romance Popular” de 1981.
Clésio Ferreira faleceu em 07/07/2010 em Brasilia.

Depois da era do vinil, Clodo Ferreira e Climério continuaram em carreiras solo e gravaram alguns CDs. Clodo é o que mantém sua carreira artística mais ativa, realizando apresentações mais constantes em Brasília.

  • Os irmãos Ferreira levaram o Piauí para Brasilia. E eles ficaram conhecidos lá com essa temática. Que não era uma temática exclusivamente piauiense, era uma temática universal, porque eles também entraram nessa temática. Eles faziam versos, aparentemente, despretensiosos, mas. concisos, simples e profundos. Climério afirma que existe uma espécie de sotaque do Piauí nas músicas deles. Eles também tinham influências das músicas românticas e da música nordestina, como um todo.
  • Clodo, Climério e Clésio lançaram seis LPs, em vinil, por gravadoras e produções independentes. Tiro Certeiro é o primeiro CD destes compositores, que tem mais de 150 músicas gravadas por intérpretes como Nara leão, Fagner, Dominguinhos, Tim Maia e Os Cariocas, Simone, MPB-4, Elba Ramalho, Ednardo, Amelinha, Zizi Possi, Fafá de Belém, Marlui Miranda, Ângela Maria e outros.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Banda PMPI e o Conjunto "Os Milionários"

Banda PMPI / 1962
  • As dificuldades de acesso existente até o inicio dos anos 70 do sec. XX, aos mais distantes municípios do Piauí a parti da capital, fizeram com que a banda de música da Policia Militar do Piauí fosse ao longo de muitos anos a única forma de cultura estatal que se fazia presente nesses municipios.

Pesquisando a história da Banda de Música da Policia Militar do Piauí, percebe-se que desde sua criação em 1875 até 1971 (antes da modernização do estado pelo governo Alberto Silva), que a mesma, exercia um papel papel politico cultural que estrapolava as atribuições de uma banda de música de concerto e desfile. A mesma atuava como uma espeicie de centro de difusão da cultura musical no estado.

Para entender melhor o papel exercido pela "Banda PMPI" na época em questão, é necessario que se faça algumas considerações sobre aquele momento hitórico:

  • Não existia naquela época no estado um orgão que fizesse as vezes de uma Secretaria de Cultura;
  • A banda não exercia apenas sua atividade fim (tocar em solenidades), também fazia um trabalho de educação musical formando seus musicos através de sua propria escola de música;
  • Por ser a única referência musical ligada ao gorveno do Piauí seus mestres eram constantemente deslocados para vários municipios a fim de formarem bandas, como por exemplo: o mestre Sebastião Simplicio nas cidades de Valença - Pi e União - Pi; o mestre Pigoreiro nas cidades de Amarante e Piripiri; e o mestre Luiz Santos na cidade de José de Freitas, dentre outros.

A Banda PMPI além de atender as funções oficiais junto ao cerimonial militar da PMPI, atender ao cerimonial do governo do Estado do Piauí e atender a comunidade em geral, atendia ainda uma extensa agenda de apresentações musicais junto aos municipios, pricipalmente nos periodos das festividades religiosas.

Para atender a demanda de solicitações da época, a Banda PMPI mantinha varias formações musicais em seus quandros, como: as bandas de música, os jazz-band, os conjuntos musicais e até uma orquestra de cordas no inicio do sec. XX como nos aponta algumas fontes escritas dos anos 20.

  • Até o final dos anos 50, essas formações viviam uma rotina de deslocamento por todo o estado, viajando em cima de caminhões sem condições de segurança e sem o minimo conforto para os músicos. Trafegavam sobre estradas de chão que somente a força de um comando militar para fazer cumprir tão arduas missões. Essa rotina só se modificou quando no inicio dos anos 60 foi criado a Banda da PMPI nas cidades de Picos, Floriano e Parnaiba.
Jazz Band da PMPI no Inicio dos Anos 40 comanda pelo Brigada Sebastião Simplicio.

O CONJUNO "OS MILIONÁRIOS"
No inicio dos anos 60 do sec. XX, a produção da música de entretenimento passava por mudanças radicais. As orquestras de salões ou jazz bands que estiveram em volga desde o inicio do século davam lugar as novas formações musicais advinda da revolução causada pela amplificação eletrica e sua utilização nos instrumentos musicais. Surgem então os modernos conjuntos musicais, uma formação bem mais leve que as grandes orquestra de música popular, composta apenas por uma seção de base-harmônica: guitarra, contrabaixo, orgão e bateria jazz e uma seção de metais.

Buscando adequar se aos novos tempos em 1963 a PMPI cria o conjunto "Os Milionários". A organização do novo conjunto ficou a cargo do maestro Luiz Santos que para isso contava com integral apoio do comandante da corporação o Coronel Torres de Melo. O nome do grupo "Os Milionários" é uma homenagem ao compositor José Bispo integrante da Banda PMPI e autor da música "o milionário" um dos sucesso do conjunto.
  • Os locais onde antes era animando pelo Jazz Band da PMPI como as tradicionais tertúlias do famoso Clube dos Diários de Teresina, passaram a contar também com a presença do Conjunto "Os Milionarios".
O conjunto "Os Milionários" se tornou muito popular e muitas vezes teve que tocar em outros estados como o Ceará e o Maranhão a convite do governo daqueles estados. O governo do Piauí, de tão grande entusiasmo, mandou trazer diretamente de Fortaleza a gravadora Orgacine, que, ao chegar em Teresina, instalou-se nos estúdios da Rádio Pioneira e gravou long play com "Os Milionarios".
A gravação do LP teve prensagem na RCA Victor de São Paulo. Dentre as canções que compunham o LP estavam: “Baião da Saudade” e “Simplício e seu Clarinete”, (de Luis Santos); “Milionário” (José Bispo); “Linda” (Bruno do Carmo) e “Olha a Bossa” (Simplício). Esse histórico LP foi gravado em 1965 e Os Milionários era composto por: Simplício Cunha (saxofone e clarinete), Edilson Setúbal (piano solovox), Artur Pedreira (bateria), Lourival Marques (baixo), Bruno do Carmo (guitarra), Gabriel Oliveira (percussão) e João de Deus (cantor). Segundo as informações do maestro Luis Santos, o conjunto atuou de 1963 a 1970.

Os Milionários da PMPI
  • A banda PMPI também teve outros conjuntos musicais mas todos foram disolvidos até o final dos anos 70.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Luizão Paiva no Mundo da Música


  • Luizão Paiva concedeu uma entrevista ao Portal Medplan e fala sobre sua carreira musical como maestro, compositor e instrumentista. Com os devidos créditos ao Portal Medplan em seu quadro "Retrato 3/4 de quem é 100/100", julgamos importante transcrevemos a entrevista aqui no "História e Música no Piauí".
Matéria: "Luizão Paiva: Um Piauiense Notável no Mundo da Música".
Publicação Original: Portal Medplan
  • Através do toque suave das notas tocadas no piano, o músico Luiz Paiva compôs e interpretou com grandes nomes nacionais e passou por platéias do mundo todo mostrando seu talento. Nesta entrevista, ele fala da carreira e de seus projetos.
Luiz Paiva é um piauiense que rodou o mundo mostrando seu enorme talento como pianista. Tocando piano desde os seis anos de idade, Luizão Paiva, como é conhecido, descobriu a música através de sua avó, a maestrina Adalgisa Paiva, que foi aluna de Villa Lobos. Por insistência dela, o jovem talento foi viver em São Paulo, para estudar no Colégio Arquidiocesano, que tinha em sua grade curricular o ensino de música.
Para atender a um desejo do pai, Luizão Paiva ainda estudou Engenharia até o terceiro ano, no Rio de Janeiro. Mas a paixão pela música falou mais alto, e sua escola se tornou a Escola de Música Pró-Arte, no Rio. Depois seguiu para os Estados Unidos, onde tornou-se Bacharel em "Professional Music" (composição, arranjo e performance), na Berklee College of Music, em Boston. Apresentou-se em vários jazz clubs e recebeu da Berklee College Of Music o prêmio "Lennie Johnson ", por mérito musical.
Uma das primeiras composições de Luizão foi a trilha sonora de abertura da primeira versão da novela "Roque Santeiro", produzida pela TV Globo. Como instrumentista, trabalhou na peça "Gota d'Agua"com Chico Buarque e sob a direção de Dorival Caymmi. Trabalhou também com Bibi Ferreira na peça “Brasileiro: Profissão Esperança”. Tocou ainda com cantores importantes da MPB; entre eles, João Bosco, Nana Caymmi, Moraes Moreira, Carmem Costa, Nora Nei e Jamelão. Com a família Caymmi, fez temporada no "Blue Note", em New York e na Europa.
Depois de trinta anos acompanhando cantores pelo mundo, Luizão Paiva voltou a Teresina, onde montou a Escola de Música Adalgisa Paiva, na UFPI. A EMAP é mantida através de convênio com a SEDUC – Secretária de Educação do Estado, e realiza o trabalho de formar músicos profissionais para o mercado. Antes de uma apresentação em Teresina, Luizão concedeu uma entrevista ao portal Medplan. Confira.

- De onde vem tão rica herança musical?

Minha bisavó, mãe da minha avó, dona Alípia de Paiva, cantava muito bem. E havia minha avó, Adalgisa Paiva, que teve influência mais forte. Ela estudou com Villa Lobos, um dos maiores maestros que o Brasil já teve. Durante um ano e meio no Rio de Janeiro, ela fez um curso de música e trouxe seu aprendizado pra cá. Foi uma das pioneiras aqui no Piauí.
- Como foi sua introdução no mundo da música?

Aprendi piano com a minha avó muito cedo, depois estudei no Colégio Arquidiocesano de São Paulo, com um mestre italiano. Fui para o Rio de Janeiro, pra Pró-Arte, em Laranjeiras. Lá eu era aluno do Homero Magalhães, Hélio Sena, e toda uma turma boa. Só “cabeção” da música do Rio. Comecei a ser profissional quatro anos depois, com 20 e poucos anos, quando já tocava em bares do Rio de Janeiro. Meu professor até brincava comigo quando eu chegava, meio tonto, nas aulas pela manhã, depois de ter tocado a noite inteira no bar. Daí eu tocava um Bach*, mas numa roupagem meio “jazzista”. Aí o professor chegava pra mim e perguntava “Vais tocar Bach como se fosses um pianista de Jazz?” Mas eu sou um pianista de Jazz, respondia eu. Fiquei um bom tempo no Rio, e foi aí que eu comecei a conhecer as pessoas certas.
- Antes de se profissionalizar na música o senhor ainda cursou Engenharia. Como foi largar esta formação para se aperfeiçoar musicalmente?

Fiz Engenharia até o terceiro ano. Quando eu larguei foi uma confusão na minha casa. Meu pai era tabelião, me mantinha no Rio, e cortou a ajuda quando deixei o curso de engenharia. Minha mãe, então, passou a me apoiar, meio oculto, vendendo suas jóias e mandando a grana pra mim. Minha mãe é uma figura ! E também é musical. Toca piano e canta.
- E como se deu o seu ingresso no cenário internacional?

Quando eu comecei a trabalhar e a aparecer tocando com músicos famosos, fui pros EUA, me graduei em Boston, na Berklee College of Music, onde fiz graduação em Música . Mas não aguentei ficar nos EUA muito tempo e voltei pro Brasil, porque estava cansado do estilo americano. Eu estava lá há uns três anos ininterruptos, e se eu não voltasse pro Brasil eu teria "pirado". Trabalhei muito, estudei, ganhei bolsa, etc. Isso porque eu tocava muito bem, o que dava nome à escola. Fiquei até os 31 anos por lá. Fui casado daqui, meu primeiro filho, Luizinho, nasceu em Boston. Então me separei, e ele foi com a mãe pra França. Depois ele veio para o Brasil, e morou 6 anos comigo. Aqui no Brasil eu continuei fazendo meu trabalho. E viajava o Brasil todo, Europa e EUA com grandes cantores.

- Dos lugares nos quais o sr. tocou, qual deles mais valorizava a sua música?

O local que mais me jogou tapete vermelho foi a Alemanha, na Europa. Aqui no Brasil o músico é tipo um “peão”. Ele fica atrás e o cantor é quem leva os louros, é quem fica lá na frente. É quem ganha mais. O show é dele. A gente "acompanha". Mesmo assim, é uma experiência boa. Você conhece bastante gente. O Moraes Moreira, por exemplo - fiquei como parceiro dele. Fiz música com ele em novela e ele virou meu amigo. Todos eles viraram meus amigos. O Dorival Caymmi virou meu amigo; toquei com ele em Portugal, São Paulo, Rio de Janeiro. Na Alemanha cheguei a ser apresentado como o melhor pianista brasileiro.

- Dentre tantas apresentações pelo mundo, alguma foi mais marcante?

Uma vez eu estava tocando em uma cidade alemã, no tempo em que era Alemanha Oriental. Era o dia do meu aniversário, e eu estava tocando com um amigo argentino, Tony, que era do grupo “Raízes da América”, e com um percussionista americano. Fizemos um som de primeira qualidade, e a platéia toda achou incrível. Então o Tony falou que era meu aniversário. Todo mundo cantou parabéns em alemão, e fizeram um brinde pra mim. Também já aconteceu nos EUA várias vezes de eu tocar em grupos de funk, na época que estavam começando os grupos de funk americano, compostos só por negros. Eles não chamavam nenhum branco pra tocar. Quando me conheceram, passaram e me chamar. Eu toquei com eles e pediam pra fazer “aquele som do nordeste do Brasil...aquele baião”. Daí, juntavam com a música deles e era uma loucura. Eu toco jazz com as minhas influências brasileiras, e isso agradava muito.

- E de tantos estilos com os quais o sr. já teve contato, qual lhe agrada mais a ponto de escolher pra tocar pro resto da vida?

Cada um tem sua área. Eu sou “jazzista”, um “jazzman”. Agora, eu toco com todas as minhas influências brasileiras, como eu disse. Eu fiquei seis anos no Conservatório de Roterdã, na Holanda, pra ensinar “brazilian jazz” pra eles. O conservatório me contratava. Eu ia todo ano, passava 6 meses na Europa e 6 meses no Brasil. E eles aprendiam muito, assimilavam. Eu falava em português misturando espanhol e inglês na Holanda. E eles entendiam tudo e gostavam dessa mistura. Nas aulas tinha muita gente, mais de 30 alunos; e era divertido, porque além da música, havia o intercâmbio cultural.

Edison Machado e seu Sexteto na Boate Peaple no Rio de Janeiro em 1990
Músicos: Edison Machado - Drums, Luiz Alves - Bass, Paulinho - Trompete, Macaé - Sx tenor, Edson Maciel - Trombone, Luizão Paiva - Piano.
- Como foi o retorno ao Piauí?

Eu estava no Rio, casei novamente e tive outro filho. Nessa época, o Rio estava em uma “entre safra” musical. Aí eu pensei: por que não o Piauí? Eu já rodei o mundo, já toquei em tanto lugar: Europa, América do Norte...Pensei, então: por que não fazer um trabalho no Piauí? Por que essa discriminação? Então eu vou! Aí eu vim pra cá, e fui convidado pelo então senador Alberto Silva. Ele me chamou pra fazer um projeto pra UFPI junto com ele. Montamos, e hoje está aí, a Escola de Música Adalgisa Paiva, que foi um projeto meu e do senador Alberto Silva. Projeto consolidado que está formando bons músicos. A Emap é uma escola muito boa. Não conheço nenhuma igual no que ela se propõe a fazer, que é colocar músicos no mercado.

- O mundo da música é competitivo?

É competitivo numa boa, mas depende do lugar. Existem certos lugares em que o músico derruba o outro. Aqui no Piauí tem um pouco disso. Agora em outros lugares como na Europa, o cara vê outro tocando muito bem, vai pra casa e estuda pra tocar ainda melhor. A competição é assim, muito saudável. Nos locais culturalmente mais pobres, onde a influência do governo, a política, é muito forte, isso é utilizado para derrubar o outro. No Brasil, o músico ganha um vigésimo ou menos do que o cantor, e isso também é prejudicial.

- O que o sr. pensa sobre a produção musical atual, que vende produtos de qualidade duvidosa?

Mediocrizou tudo. Antigamente, nas paradas de sucesso das rádios populares, tocava “Travessia” de Milton Nascimento, tocava Chico Buarque, Tom Jobim, dentre "as 10 mais". Olha a diferença pra hoje: umas músicas horrorosas que não têm nenhum sentido, paupérrimas musicalmente ! Você espreme e não tem nada. Agora o engraçado é que nos EUA também existe esse tipo de coisa, de produtos musicais enlatados. Mas eles dão valor também às outras coisas. Aqui no Brasil não. O Chico Buarque é considerado velho. O cara é um artista, e artista não envelhece. O fator primordial para mudar isso é a educação. A educação é que é o grande fator de consciência. Difundir a música e transformá-la em História. Nos EUA o Frank Sinatra é um cara que é tema de teses científicas e aqui devia ser assim também. O Brasil ainda está muito atrasado culturalmente. E o Brasil precisa preservar sua cultura. Tem tanta gente que está esquecida por aí, como Pinxiguinha e outros poetas geniais. A preservação da cultura musical deveria ser uma coisa geral, que começasse nas escolas, ensinando música de forma obrigatória. Na época em que estudei em São Paulo, no Arquidiocesano, eu tinha no currículo escolar, dentre outras matérias, a música, o latim, o francês,e o inglês.

- Quais são seus projetos para o futuro?

Eu vim por causa da família. Estou no Piauí, mas estou aberto a fazer trabalhos fora. Vou ao Rio e a São Paulo. Talvez vá a Holanda produzir um disco da minha irmã, que mora lá e canta em bares. Se eu for, eu circulo e toco nos festivais. E outra coisa que eu desejo muito é poder escrever toda a minha obra. Está tudo digitalizado e são mais de 300 músicas, entre arranjos, composições jazzistas e composições pra orquestra. O que eu mais quero nesse momento é poder divulgar isso. Poder levar isso pra Europa quando eu for, e apresentar, pra ninguém dizer que eu deixei uma obra, mas sim que a fiz e apresentei em vida.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Lira Barrense Comemora 100 Anos

Banda Lira Barrense de Barras do Maratoan - Pi
  • Ela foi fundada em 1911 para abrilhantar as solenidades do municipio de Barras e chega em 2011 comemorando seu centenario com muito orgulho. Consta, segundo o conhecimento popular, que a banda Lira Barrense nasceu de um protesto – o primeiro movimento do município – contra a falta de estradas na região. Depois da manifestação, o grupo virou voz ativa em agenda cultural e nasceu o Lira Brasileira e posteriormente Lira Barrense.

A banda de música Lira Barrense do municipio de Barras do Maratoan - Pi, tem uma história que confunde-se com a própria história cultural do municipio de Barras. Nesses cem anos de plena atividade a banda sempre esteve muito presente na vida cultural da cidade apresentado-se nos momentos mais caros e solenes da comunidade barrense, recepcionando autoridades e entretendo as festividades públicas.

  • Em comemoração ao seu centenário o grupo vem recebendo justas homenagens pelos serviços prestados aos barrenses, sendo recentemente homenageada no primeiro Sarau Litero-Musical de Barras como uma das mais antigas bandas de música do Estado do Piauí.

O maestro Teotônio Rodrigues de Oliveira atual regente da banda informou que a Lira conta com 39 integrantes e aposta na Escola de Música, que será criada este semestre, para formar novos alunos.

  • A Lira Barrense é uma espécie de orquestra do interior. "Tocamos de tudo, deste marchas até músicas sofisticadas”, disse o maestro Teotônio Rodrigues.
E para marcar o seu centenario a banda Lira Barrense foi agraciada entre 3.090 inscritos pelo Programa BNB de Cultura – Edição 2011 – Com recursos que serão investo no melhoramento técnica da banda. R$ 61 mil serão destinados para compra de instrumentos, 24 mil para gratificações e 10.500 compra de camiseta, banner, cartazes para distribuir.

Segundo Germano Filho (Coordenador de Cultura da Prefeitura de Barras), com o Projeto do BNB serão atendidos 80 jovens carentes de 13 a 17 anos pelo projeto. Eles terão 900 horas aulas de música gratuitas. Mais 40 jovens das escolas municipais, de 18 a 29 anos, que serão indicados por associações comunitárias, serão incluído.

  • Além destes, mais 30 pessoas serão capacitadas para o conserto de instrumentos musicais em 12 módulos no espaço d e 1 ano . Ao todo, 150 pessoas participarão das atividades de capacitação e inclusão social.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Banda de Música Municipal de União-Pi

  • Banda Municipal de União - Pi, apresentando-se no adro da Igreja Matriz no tradicional Festejo local de São Raimundo Nonato, em 29 de agosto de 1944, dia em que se homenageia até hoje os Vaqueiros.

A Banda de Música Municipal da Cidade de União surgiu da mesma maneira que muitas bandas municipais sugiram nas pequenas cidades do Nordeste. Foi numa época que os meios de comunicação de massa ainda eram muito insipientes, em que o fornecimento de energia elétrica era privilégio apenas das grandes cidades e, que por isso mesmo praticamente não havia ainda sistemas de amplificação de som. Dado esse cenário eram das Bandas de Música Municipais, o papel de comunicação musical nas cidades interioranas de pequeno porte.

  • Inspiradas nas tradicionais Bandas Militares e geralmente criadas e financiadas pelas prefeituras dessas cidades, as Bandas de Música sempre cumpriam, principalmente, dois papeis básicos: o primeiro servir como um meio estratégico político de animação musical em eventos oficiais das prefeituras, tais como inaugurações de escolas, estradas, praças e obras em geral. E o segundo de prestar auxílio nas solenidades da Igreja Católica, como em procissões, missas, leilões de festejos de santos, enterros etc.

Segundo o atual mestre da banda, Antonio Tertuliano dos Santos, conhecido como “Seu Neguinho”, que também é o mais antigo e experiente integrante desta, não há registros da origem da Banda de Música Municipal de União, todavia podemos com certeza dizer que ela tem no mínimo 6 décadas de existência. Isso porque há um registro fotográfico em que a banda se apresenta no adro da Igreja Matriz no tradicional Festejo local de São Raimundo Nonato, em 29 de agosto de 1944, dia em que se homenageia até hoje os Vaqueiros, uma das figuras mais representativas da nossa cultura.

  • Nessa época, no governo municipal de Filinto Rêgo (1937-1945), o maestro regente da banda era Sebastião Simplício, renomado maestro da época que também regia a Banda de Música da Polícia Militar do Piauí.

Ainda segundo "Seu Neguinho", a mencionada banda, passou vários anos sendo formada e reformada por músicos escolhidos quase sempre por critérios próprios, ou seja, cada prefeito que entrava reorganizava a banda segundo seus interesses políticos.

Foi apenas no ano de 1985, por meio da Lei 177/85 de 17 de abril, que definitivamente foi criada, de modo oficial, a Banda de Música Municipal de União. A partir daí ela passou a ter diretoria, regimento e sede própria. A lei garantia ainda o total apoio financeiro da Prefeitura Municipal de União, para mantê-la.

  • Banda Municipal de União - Pi em pose durante apresentação no ano de 2000 onde podemos identificar alguns de seus componentes [Seu Cicero - sax alto; Seu Edmilson - trombone; Seu Neguinho - trompete; Seu Chico Fugueteiro - Tuba Mib; Ronaldo - sax tenor; Pai Preto - tarol; Costinha - Bombo].
Entretanto muitos anos se passaram e aos poucos a Banda de Música Municipal de União foi sendo esquecida pelas autoridades competentes: Não havia uma política de formação de instrumentistas para o quadro permanente da banda, muito menos procedimentos de reposição dos músicos que se aposentavam. Além de tudo os instrumentos, muito antigos, com o tempo passaram a ter problemas constantemente, ficando alguns inutilizáveis definitivamente, pois também não existia uma ação governamental de manutenção desses equipamentos.
Foi só a partir de 2009 que a Prefeitura Municipal de União retomou o seu olhar para a importância cultural e histórica da referida banda, concebendo um projeto para sua revitalização. Com isso foi possível contratar o músico piauiense, mestre de bandas, pesquisador musical e membro avaliador da Confederação Nacional de Bandas e Fanfarras (CNBF), Maestro Regente Antonio Carlos Rocha Sousa. Com ele houve um ganho substancial na qualidade técnica da Banda, pois se iniciou um a política de reciclagem dos músicos veteranos e a formação de novos jovens instrumentistas oriundos da Escola Pública Municipal de União “Padre Luiz de Castro Brasileiro”, e o concerto dos instrumentos danificados.

  • Atualmente a Banda de Música Municipal de União conta com 20 (vinte) músicos destes, 8 (oito) são os instrumentistas veteranos, e os outros 12 (doze) são instrumentistas adolescentes recém formados em um curso básico de música oferecido pela prefeitura.
  • Maestro Rocha Sousa apresentando-se com a banda de música formada por jovens da Escola Municiapal Padre Luiz Brasileiro durante as comemorações do aniversario da cidade de União-Pi em setembro de 2009.

Assim sendo podemos dizer, sem levar em conta a formalidade da Lei que criou-a em 1985, que a Banda de Música Municipal de União tem aproximadamente mais de 70 anos de uma importante e rica história, que tem que ser preservada e sempre valorizada por todos.

  • Texto Apresentação do Projeto "Equipar Para Respeitar a História de Uma Banda", escrito por Marcelo Cruz - Gerente de Cultura do Municipio de União-Pi.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Arranjadores Brasileiros: Maestro Duda

Maestro Duda do Recife

  • A primeira vez que ouvi falar no maestro Duda foi por volta de 1987 quando estava iniciando meus estudos musicais e os colegas de banda ensaivam um frevo intitulado "Duda No Frevo". Aquele nome me intrigou e fiquei a me perguntar: - Quem será esse Duda que está sendo homenageado com esse frevo? Logo depois conversando com o mestre da banda descobri que tratava-se de um maestro pernambucano arretado como muitos outros que nasceram naquela terra abençoada de Cusi de Almeida, Guedes Peixoto, Dimas Sedícias, Capiba e tantos outros.

José Ursicino da Silva, o Maestro Duda, nasceu em 23/12/1935, em Goiana, Pernambuco. Sua trajetória artística, iniciou-se aos oito anos em Goiana, na Banda Saboeira. Compositor, arranjador, instrumentista e regente precoce, compôs sua primeira música – o frevo ‘Furacão’ – aos 12 anos e aos 15 já atuava na Jazz Band Academic e na Orquestra Paraguari da Rádio Jornal do Commercio de Recife.

O Maestro possui vasta experiência, tendo recebido inúmeros prêmios. Apenas a título exemplificativo, citamos festivais de frevo em Pernambuco, premiações nacionais como melhor arranjador da MPB-80, premiação da Secretaria de Cultura de São Paulo (Projeto Memória Brasileira), como um dos doze melhores arranjadores do século, melhor arranjador do MPB-Shell.

Sua trajetória inclui viagem com sua orquestra para Miami, inaugurando o primeiro vôo internacional do frevo. Na comemoração dos anos 100 da OEA foi tocada a Suíte Recife, de sua autoria, que mereceu destaque no The Washington Post. Suas músicas foram gravadas em todo o Brasil e no exterior e estão presentes em mais de cem discos.

Atuou intensamente como compositor, arranjador, instrumentista e regente no sul do país e no exterior. No momento integra a Orquestra Sinfônica do Recife, é Professor-Arranjador do Conservatório Pernambucano de Música e Regente-Arranjador e instrumentista da Orquestra Paraibana de Música Popular.

Teve músicas gravadas no exterior, estando presente em mais de 100 discos. Foi escolhido pelo Projeto Memória Brasileira, da Secretaria de Cultura de São Paulo, como um dos 12 melhores arranjadores do século.

  • Em 1997 o Projeto Memória Brasileira, da Secretaria de Cultura de São Paulo, o escolheu como um dos 12 melhores arranjadores do século e lançou o CD "Arranjadores", com seu arranjo para "Bachianas nº5", de Heitor Villa-Lobos, tocado pela Banda Savana, homenageando-o ao lado de outros grandes arranjadores brasileiros como Maestro Cipó, Moacir Santos, Cyro Pereira, José Roberto Branco e Nelson Ayres.

  • Apresentação da Orquestra do Maestro Duda na praça do Marco Zero, em Recife no carnaval de 2009.

A extensão da obra do maestro Duda extrapola as fronteiras da cultura regional, da música popular e dos ritmos de carnavalescos. Suas composições para formações sinfônica impressionam pela beleza e o coloca ao lado dos mais completos compositores e arranjadores do séc. XX. Se alguem tiver alguma dúvida, ouça abaixo uma pequena mostra de seu rico acervo de obras.

  • Suite Nordestina


  • Suite Monete

  • Suite Pernambucana de Bolso
  • Música para Metais 1 / 2
  • Fantasia Carnavalesca

sábado, 18 de dezembro de 2010

Banda de Música é destaque em União-PI

  • Mais uma vez o Projeto “Banda e Orquestra Escola” da cidade de União-Pi supera as expectativas e conquista ainda mais a admiração da população unionense.

A Banda Infanto Juvenil da Escola Pública Municipal Padre Luiz Brasileiro com apenas oito meses de trabalho é considerada como uma das melhores ações da cidade da atual administração municipal.

O Projeto "Banda e Orquestra Escola de União-Pi" é desenvolvido através da secretaria de educação do município sob a coordenação do Maestro Rocha Sousa, envolvendo crianças e adolescentes na faixa etária de 10 a 13 anos da Escola Municipal Padre Luiz Brasileiro.

Em sua primeira etapa realizada em 2010 participaram 30 alunos que atualmente compõem a banda de música juvenil da Escola Municipal Padre Luiz Brasileiro.

  • Na segunda etapa progamada para 2011, mais 30 alunos estudarão instrumentos de cordas friccionadas (violinos, violas, violoncelos e contra-baixo acustico), tatalizando assim 60 alunos que serão musicalizados objetivando formar a Orquestra Sinfônica do Municipio de União-Pi.

O desempenho do Projeto é o resultado de um trabalho conjunto realizado por toda administração municipal com muito empenho, onde se pode destacar: a Secretaria de Educação Municipal de União-Pi; a Escola Municipal Padre Luiz Brasileiro; o Maestro Rocha Sousa e sua equipe; os Pais de alunos; e a Comunidade em geral que tem apoiado esse projeto de musicalização da juventude unionense.

  • A Prefeitura de União-Pi está de parabéns, assim como a população, que ganha uma banda de música jovem e cheia de garra. Agora é seguir em frente na execução de outras etapas desse grande projeto.