domingo, 13 de março de 2011

A Missão de Formar

Maestro Rocha Sousa
  • Depois de anos contribuindo para o engradecimento da nossa música, seja: através da revelação de uma diversidade de músicos em vários projetos e cidades por onde temos atuado, seja através da transformação de idéias musicais em partituras, ou seja pesquisando empiricamente a história da música em nosso estado, chego à conclusão que a missão de formar é mesmo o melhor trabalho que conseguimos desenvolver ao longo de todos esses anos. Continuar esse trabalho de formar novos músicos que tenham em seu perfil a capacidade de se multiplicar respeitando as tradições e de olho nos novos desafios deve ser o nosso foco principal de agora em diante.

Orquestra Jovem de União-Pi (2011)

Precisamos continuar proliferando essa especialidade de músico que compartilhe seus conhecimentos pensando no crescimento da música e na coletividade. Foi pelas mãos de um músico que pensava assim que tive minha oportunidade e continuo hoje, 25 anos depois, seguindo e defendendo a mesma filosofia de uma música democrática e profissionalizante para todos, sem individualismo.

Banda de Música do Escolão Mocambinho (foto / setembro 1991)
  • Na verdade, esse trabalho de oportunizar jovens para despertar vocações, talentos e trilhar um caminho em busca de uma vida profissional, já foi mais dificil. Hoje é compartilhado entre muitos companheiros, cabendo as vezes a nós, apenas o privilégio de coordenar as ações do que costumo chamar de “pequena revolução silenciosa”, que a rigor é repleta não só de sonhos, mas de sons.
Banda de Música do Escolão Mocambinho (foto / abril 1998)

O sucesso desse trabalho não tem um dono, é dividido entre todos os que contribuem com a iniciativa. Desde as instituições que finaciam, as comunidades envolvidas, os alunos que participam, aos ex-alunos, que como monitores e instrutores repassam aos novos alunos e futuros colegas o que lhes foi ensinado.
Banda de Música do Escolão Mocambinho (foto / setembro 1997)

Banda de Música do Escolão Parque Itaraté (foto / março 1999)

domingo, 6 de março de 2011

Carnaval: "Música Pra Pular Brasileira"

  • Música e dança são a essência do carnaval. O carnaval brasileiro se renova na convergência entre a música popular e a dança. Não é a toa que o crítico de MPB Nelson Motta diz: Carnaval é “música pra pular brasileira”.

Música e dança no Brasil estão conjugados, e são esses os dois fatores fundamentais do carnaval. Mas não é assim em todos os lugares do mundo. A tradição erudita, por exemplo, oferece concertos maravilhosos, mas ninguém pula ou dança.

  • A música erudita é da cintura para cima, é para contemplar, ouvir, fazer um mergulho interno. Mexe com o silêncio, com a individualidade, com a solidão. A música popular brasileira é o oposto disso. Parte do meridiano para cima e da cintura para baixo. E o carnaval é uma das grandes épocas do ano em que a “música pra pular brasileira” está presente.

O espírito do carnaval é o corpo em movimento e a música, a fantasia é detalhe. Há vários casos de mulheres que só usam uma sombra, uma fita no cabelo ou um batom mais forte. Um vestido branco com colares coloridos já é o suficiente para sair dançando. Qualquer coisa é fantasia. O importante é a alegria, e ela não está na fantasia.

  • O melhor do carnaval é o presencial. É essencial estar naquela multidão, todo mundo junto, pulando, compartilhando, suando junto. A música tem que ser ao vivo, tem que ter alguém tocando, seja uma banda de frevo, um trio elétrico ou uma bateria de escola de samba. O carnaval é música e dança ao vivo, o resto é detalhe.