sábado, 18 de dezembro de 2010

Banda de Música é destaque em União-PI

  • Mais uma vez o Projeto “Banda e Orquestra Escola” da cidade de União-Pi supera as expectativas e conquista ainda mais a admiração da população unionense.

A Banda Infanto Juvenil da Escola Pública Municipal Padre Luiz Brasileiro com apenas oito meses de trabalho é considerada como uma das melhores ações da cidade da atual administração municipal.

O Projeto "Banda e Orquestra Escola de União-Pi" é desenvolvido através da secretaria de educação do município sob a coordenação do Maestro Rocha Sousa, envolvendo crianças e adolescentes na faixa etária de 10 a 13 anos da Escola Municipal Padre Luiz Brasileiro.

Em sua primeira etapa realizada em 2010 participaram 30 alunos que atualmente compõem a banda de música juvenil da Escola Municipal Padre Luiz Brasileiro.

  • Na segunda etapa progamada para 2011, mais 30 alunos estudarão instrumentos de cordas friccionadas (violinos, violas, violoncelos e contra-baixo acustico), tatalizando assim 60 alunos que serão musicalizados objetivando formar a Orquestra Sinfônica do Municipio de União-Pi.

O desempenho do Projeto é o resultado de um trabalho conjunto realizado por toda administração municipal com muito empenho, onde se pode destacar: a Secretaria de Educação Municipal de União-Pi; a Escola Municipal Padre Luiz Brasileiro; o Maestro Rocha Sousa e sua equipe; os Pais de alunos; e a Comunidade em geral que tem apoiado esse projeto de musicalização da juventude unionense.

  • A Prefeitura de União-Pi está de parabéns, assim como a população, que ganha uma banda de música jovem e cheia de garra. Agora é seguir em frente na execução de outras etapas desse grande projeto.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Assis Valente e o Natal dos Excluidos

  • Assis Valente é um dos bons compositores brasileiros que ficou conhecido como alguem que criou um ambiente musical no qual fluía a poesia do homem comum com amor ao Brasil e, simultaneamente, como ironia do lugar do povo na brasilidade. Uma de suas composições mais conhecida é "Brasil Pandeiro", nela Assis faz um samba inquietante que na letra, quer ver o Tio Sam tocar pandeiro para o mundo sambar.

Mas Assis Valente não era só Samba e Carnaval. Dentre suas diversas composições uma ouvimos principalmente durante o periodo natalino. Quem ainda não ouviu ao menos este trecho, cantado ou em versão instrumental:

Anoiteceu
O sino gemeu
A gente ficou
Feliz a rezar.

Papai Noel
Vê se você tem
A felicidade
Pra você me dar


Chama-se “Boas Festas”. O autor da música que acalenta os sonhos, as tristezas e as ostentações do Natal só conseguiu morrer na terceira tentativa de suicídio, ao ingerir formicida com guaraná num banco da Praia do Russell, na Glória, em 10 de março de 58. Tinha aproximadamente 46 anos. (Não há certeza sobre sua data de nascimento.) Já tentara jogar-se do Corcovado, sendo resgatado pelos bombeiros preso aos galhos das árvores, e cortar os pulsos com lâmina de barbear.

  • O mulato Assis Valente nasceu na Bahia e, em 1927, veio para o Rio, começou a compor sambas que fizeram muito sucesso sobretudo na voz de Carmem Miranda, sua principal intérprete. Pertenceu à geração de compositores urbanos que num país culturalmente múltiplo associou o samba à brasilidade malandra, boêmia e moleque.

O que parecia ser a recompensa pela infância e adolescência trágicas na verdade camuflava um homem amargurado. Aos seis anos foi arrancado dos pais e da pobreza. Foi entregue a outra família que, ao se mudar para o Rio, abandonou-o na Bahia.

Passou a viver num hospital como lavador de frascos de farmácia. As necessidades da vida fizeram-no múltiplo. Trabalhou num circo como orador e comediante. Em Salvador conseguiu estudar desenho no Liceu de Artes e Ofícios e formar-se protético, profissão que continuou a exercer paralelamente ao ofício de compositor.

  • Muitas foram as tentativas de explicar sua personalidade suicida. Ingratidões e incertezas do ofício de compositor, problemas financeiros e até homossexualismo reprimido. Um dia em sua vida talvez seja mais revelador.

Assis Valente passou sozinho e triste, em Niterói, o carnaval de 32. Em seu quarto havia a gravura de uma menina de pé, entristecida, os sapatinhos sobre a cama, esperando o presente. Inspirou-se nela para compor “Boas Festas”. A segunda parte da letra merece leitura atenta:

Eu pensei que todo mundo
Fosse filho de Papai Noel
Bem assim felicidade
Eu pensei que fosse uma
Brincadeira de papel

Já faz tempo que eu pedi
Mas o meu Papai Noel não vem!
Com certeza já morreu
Ou então felicidade
É brinquedo que não tem!

  • Cobertos por uma melodia alegre que se assemelha por vezes às marchinhas, por vezes aos sambas de carnaval, os versos, fortes, escondem que nem todo mundo é filho de Papai Noel. Todo mundo pode ser filho de Cristo, a verdadeira razão do Natal, mas o que interessa é o Papai Noel e seu saco de presentes. Quem não pode recebê-lo, e no Brasil são muitos, aprende muito cedo que o Bom Velhinho só o é para alguns.

Mas a crítica ao consumismo do Natal é o aspecto mais fácil de perceber. O Papai Noel de “Boas Festas” representa a felicidade que não vem. É a felicidade dos presentes, mas se pode ver na última estrofe, nas duas referências a essa palavra, a alma ferida de Assis, sem felicidade — o presente, que ele não tem nem nunca teve, pedido em vão a Papai Noel.

“Boas Festas” transformou os tormentos de Assis Valente numa celebração. Entre desejos de feliz Natal e fartas ceias, poucos prestam a atenção à mensagem da música. Numa biografia em que o sucesso realça os infortúnios, e vice-versa, talvez seja esta sua maior tragédia.

  • Assis Valente faria 100 anos no próximo 2011. Pelo menos, em três décadas, as de 1930, 40 e 50, o Brasil cantou os sambas de Assis Valente, muitos deles na voz de sua principal intérprete, Carmen Miranda, a qual gravou Good bye, boy e no ano seguinte, Uva de caminhão.

A obra de Assis Valente soma 150 composições. Há clássicos como “Camisa listada” (“Vesti minha camisa listada e saí por aí...”). Ou “Brasil pandeiro”:

  • Brasil,
    Esquentai vossos pandeiros
    Iluminai os terreiros
    Que nós queremos sambar
FELIZ NATAL PARA TODOS!!!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Arranjadores Brasileiros: Maestro Gaya


  • LINDOLPHO GOMES GAYA, ou Maestro Gaya como foi popularmente reconhecido, foi um dos maiores arranjadores da MPB, premiado nos importantes Festivais da Record, descobrindo, burilando e produzindo Chico Buarque de Hollanda, além de ainda ter produzido Taiguara, Nelson Gonçalves e outros artistas de renome que o admiravam.

Na década de quarenta, trabalhou na Rádio Tupi de São Paulo, quando conheceu a cantora Stelinha Egg, com a qual se casou em 1945.. Juntos percorreram o Brasil pesquisando as raízes musicais do folclore, pioneiros na divulgação da cultura musical pela Europa na década de cinqüenta. Apresentaram-se pelo Brasil todo, em auditórios das universidades, em shows concorridos narrando brilhantemente a evolução da música popular brasileira do Afro à Bossa Nova.

Durante os anos sessenta quando realizaram-se os festivais da canção, sejam os nacionais ou os internacionais, a música popular brasileira atingiu um grau de qualidade ainda hoje não superado, músicas como:

  • Alegria alegria, de Caetano Veloso; Ponteio, de Edu Lobo e Capinan; Roda viva e Carolina, de Chico Buarque de Holanda; Domingo no parque, de Gilberto Gil; Travessia, de Milton Nascimento e Fernando Brant e Margarida, de Guarabyra, para citar apenas algumas mais significativas, são por demais conhecidas e consideradas inclusive clássicos modernos de nosso cancioneiro.

O que poucos sabem, no entanto é quem foram os responsáveis pelos arranjos que a tornaram tão famosas, são eles os maestros Lindolfo Gaya e Rogério Duprat.

Pelas mãos do Maestro Gaya passaram as mais significativas canções da época, os compositores os procuravam por que sabiam do enorme talento e sensibilidade que tinham. Pela importância que representavam suas obras foram perpetuadas em 1968 num brilhante LP onde apresentam as mais destacas canções por eles arranjadas e que fizeram parte do repertório dos festivais realizados no país, sendo também merecidamente premiados.

  • Lindolfo Gaya (1921/1987) recebeu o Galo de Ouro por sua atuação como maestro e arranjador do I Festival Internacional da Canção promovido pela TV Rio sendo o responsável pela maioria dos arranjos das musicas concorrentes.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Arranjadores Brasileiros: Moacir Santos

  • Moacir Santos é considerado pelos críticos e pesquisadores musicais como um dos principais arranjadores e compositores brasileiros, aquele que renovou a linguagem da harmonia no país.

Moacir Santos nasceu em 1923 em São José do Belmonte-Pe e começou cedo sua história musical, quando se se uniu à banda da cidade Flores do Pajeú, em pleno sertão pernambucano, aos 14 anos, tocando saxofone, clarinete e trompete, entre outros instrumentos. Dois anos depois ele saiu pelo nordeste afora até 1943, quando arrumou um emprego na Rádio Clube de Recife.


  • Em 1945 foi para a Paraíba, onde tocou na banda da Polícia Militar e na jazz band da Rádio Tabajara como clarinetista e tenorista. Em 1948 ele mudou para o Rio de Janeiro, onde trabalhou na gafieira "Clube Brasil Danças" durante 18 anos como saxofonista, arranjador e maestro.

Outro longo emprego que teve foi na Rádio Nacional, começando como tenorista da Orquestra do Maestro Chiquinho. Como fazia arranjos sem conhecer as regras, Santos se iniciou em teoria musical com Guerra Peixe e depois foi estudar com o grande musicólogo e compositor alemão Hans Joachim Koellreutter, de quem Santos depois se tornou assistente.

Durante essa década ele começou a dar aulas, mas foi nos sessenta que ficou famoso, sendo professor de grandes talentos, como Paulo Moura, Oscar Castro-Neves, Baden Powell, Maurício Einhorn, Sérgio Mendes, João Donato, Roberto Menescal, Dori Caymmi e Airto Moreira, entre outros.

  • Em 1951, ele foi convidado por Paulo Tapajós, diretor da Rádio Nacional para ser um maestro e arranjador do elenco, onde permaneceu até 1967. Em 1954, Santos foi para São Paulo onde dirigiu a orquestra da TV Record. Dois anos depois, ele voltou ao Rio de Janeiro, retomando seu trabalho na Rádio Nacional e se tornou regente na Copacabana Discos.

Com o prestígio alcançado no Brasil, Santos gravou em 1965 pela Forma, o seu primeiro álbum solo, "Coisas". Santos compôs trilhas sonoras para muitos filmes como "Love in the Pacific", "Seara Vermelha"(Rui Aversa), Ganga Zumba (Cacá Diegues), O Santo Médico (Sacha Gordine), e Os Fuzis (Ruy Guerra), entre outros.

Em 1967, ele deixou a Rádio Nacional e se mudou para os EUA, indo morar em Pasadena, onde ficou dando aulas de música até ser descoberto por Horace Silver. Em 1985, ele abriu junto com Radamés Gnattali, no Rio de Janeiro, o I Free Jazz Festival. Em 1996, ele condecorado pelo Presidente Fernando Henrique com a comenda da Ordem do Rio Branco. No mesmo ano, Santos foi homenageado no Brazilian Summer Festival em Los Angeles.

  • Seus arranjos originais para várias de suas composições foram transcritas por Mário Adnet e Zé Nogueira no álbum duplo "Ouro Negro"(2001), que teve as participações de Milton Nascimento, João Donato, Gilberto Gil, e do próprio Moacir Santos, entre outros.


Discografia

  • 1965 Coisas Forma/Universal Music
  • 1972 Maestro Blue Note
  • 1974 Saudade Blue Note
  • 2001 Ouro Negro Independente
  • 2005 Moacir Santos - Choros & Alegria


sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Arranjadores Brasileiros: Luís Arruda Paes

  • Luís Arruda Paes foi um dos grandes arranjadores e orquestradores na época das grandes orquestras (anos 50 e 60). Nascido em São Paulo, em 1926, o maestro morreu em Praia Grande em 1999, há exatos dez anos. Ele participou da inauguração da TV no Brasil, em 1950, e foi presença marcante nos programas “Um instante, maestro”, de Flávio Cavalcanti, e “Almoço com as Estrelas”, com Ayrton e Lolita Rodrigues.

Durante as décadas de 50, 60 e 70, trabalhou com os mais renomados intérpretes nacionais, além de ter composto, a pedido de Duke Ellington, um arranjo especial para a música “Sophisticated Lady”, a ser executada em espetáculo na Broadway.


  • O maestro Luís Arruda Paes iniciou a carreira artística atuando como pianista da orquestra da Rádio Tupi de São Paulo. Em seguida, passou a atuar como pianista da Orquestra de Zezinho, que se apresentava na TV Tupi de São Paulo. Em 1952, ainda na TV Tupi, começou a atuar como maestro. No mesmo ano, passou a fazer arranjos para orquestra na mesma emissora.

Em 1956, fez a trilha sonora para o filme "O sobrado", de Walter George Durst. No mesmo ano, gravou pela Odeon o seu primeiro LP, "Brasil - Dia e noite", considerado um acontecimento no fonográfico tanto sob o aspecto artístico como no comercial, sendo lançado também na Argentina, no México, nos Estados Unidos e no Japão.

Também no mesmo período, gravou com sua orquestra o samba canção "Copacabana", de João de Barro e Alberto Ribeiro e o baião "Caruaru", de Belmiro Barrela. No ano seguinte, lançou o LP "Brasil de norte e sul", também pela Odeon.

  • Em 1958, recebeu o Disco de Ouro, prêmio oferecido pela gravadora Odeon. Em 1959, lançou em 78 rpm "Nossa bandeira", de sua parceria com Guilherme de Almeida e "Paris Belfort", de Antônio Farigoul e Guilherme de Almeida. Ainda no mesmo ano, lançou com sua orquestra e coro o fox "Mulher", de Custódio Mesquita e Sadi Cabral, o fox canção "Nada além", de Custódio Mesquita e Mário Lago e o samba-canção "Eu sei que vou te amar", de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes. Também no mesmo ano, lançou o LP "Piano romântico".

Em 1960, gravou o LP "Brasil moreno". Em 1961, gravou com sua orquestra e coro as músicas "I love Paris", de Cole Porter e "Calcutá", de Heino Gaze. No mesmo ano, lançou o LP "Itália eterna". Em 1962, acompanhou com sua orquestra e coro as gravações de Zezinho da TV no trompete nos fox "Noites de Moscou" e "Love letters", pela RCA Victor.

Em 1963, lançou o LP "Brasil é samba". Por essa época, passou a dirigir uma orquestra com 30 componentes da qual fazia parte também o conjunto vocal "Os Modernistas".

Em 1966, gravou o LP "Brasil, dia e noite, vol. 2", lançado nos Estados Unidos sob o título de "Dawn is approaching", com destaque para "A banda", "Sonho de um carnaval" e "Olê Olá", de Chico Buarque. Permaneceu na TV Tupi como maestro e arranjador até 1980.


  • A partir de 1981, transferiu-se para Praia Grande (SP), atuando como autônomo. Participou, como arranjador e regente, da Jazz Sinfônica de São Paulo, de 1989 a 1992. Assinou arranjos para gravações de vários artistas. Foi orientador de diversos maestros entre os quais, Chiquinho de Moraes e José Briamonte. Foi premiado sete vezes com o troféu Roquette Pinto, da TV Record (SP), tornando-se hors-concours.