sábado, 10 de setembro de 2011

Um Gênio Chamado Adolphe Sax


  • Desde que um belga chamado Adolph Sax inventou o saxofone há pouco mais de 150 anos, esse instrumento surpreendeu, devido à sua extrema versatilidade – capaz de sonoridades das mais variadas e envolventes – tornou-se um dos sopros mais importante de jazz.

Adolphe Sax era filho do fabricante de instrumentos musicais Charles Joseph Sax e nasceu em Bruxelas em 1814. Seu pai era um experimentador fanático e gastava toda sua fortuna no aperfeiçoamento dos instrumentos musicais, que o interessavam muito mais do que a sorte de seu único filho.


Já adulto, inventou um clarinete "baixo", que chamou a atenção dos músicos franceses. Mais tarde dedicou-se ao estudo de uma combinação de instrumentos de metal com o clarinete e inventou o saxhorn, o saxtrompa e o saxofone. Com esses instrumentos enriqueceu as orquestras e compositores como Berlioz, Halévy; Meyerber e Auber.

Sax não fez seus inventos... por acaso; era um sábio, que aplicava aos instrumentos as leis de acústica, por ele descobertas. Porém seis êxitos não duraram muito e, em breve, caíram em completo esquecimento tanto o inventor como seus instrumentos. E Adolphe Sax, o artista inventor do saxofone, morreu na mais completa miséria.


  • O saxofone é exibido pela primeira vez na "Paris Industrial Exibicion" em 1944 e  em 1846 foi patenteado incluindo 14 variações: Sopranino em Eb, Sopranino em F, Soprano em Bb, Soprano em C, Alto em Eb, Contralto em F, Tenor em Bb, Tenor em C, Barítono em Eb, Barítono em F, Baixo em Bb, Baixo em C, Contra-baixo em Eb e Contra-baixo em F.

Devido ao seu sucesso, os concorrentes, de olho nos lucros, lançaram uma campanha contra ele. Entre outros golpes, acusaram-no de ter roubado a idéia do saxofone, subornaram músicos para boicotar os seus instrumentos e fizeram com que os compositores deixassem o sax à margem das salas de concerto. Adolphe sobreviveu aos ataques até que, em 1870, sua patente expirou e qualquer um pôde fazer saxofones. Sua fábrica então faliu.

Aos oitenta anos de idade e falido, três compositores se sensibilizaram (Emmanuel Chabrier, Jules Massenet e Camile São-Saens) e solicitaram ao Ministro francês de belas artes que lhe ajudasse. Uma pequena pensão foi dada, a qual lhe garantiu uma ajuda nos seus últimos anos de vida. Antonie Joseph, conhecido como Adolphe Sax, morreu no dia 4 de Fevereiro de 1894 com 80 anos de idade.

  • A vida de Adolhe Sax, inventor de um dos instrumentos mais apreciados por todos que gostam da boa música, é um exemplo típico da indiferença, da falta de gratidão, que acompanha a maior parte dos homens, cujos inventos favorecem todo mundo, menos seus autores.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Orquestra Theresina Jazz Band

Orquestra Theresina Jazz Band
  • A Theresina Jazz Band é uma orquestra big-band que foi formada em 2000, por inciativa do trompetista, pianista, compositor e arranjador - maestro Fábio Mesquita. Ao ser criada, sua primeira formação foi integrada por vários músicos que sempre estiveram muito próximos ao maestro Mesquita e que também ansiavam em participar de uma Big band. A Therezina Jazz Band nasceu com a vocação para expressar em suas interpretações, a verdadeira essencia da linguagem musical das big bands tradicionais.

Do universo dos compositores da música popular universal para dançar, selecionou peças de alguns dos mais notáveis - Perez Prado, Ray Conniff, Frank Sinatra, Glenn Miller, entre outros. Juntou a esse repertório canções mais atuais e, brilhantemente, arranjou-as para a formação de big-band. Embora conte com excelente solistas, valorizou mais o conjunto do que a individualidade.


A Therezina Jazz Band iniciou suas atividades há 10 anos na cidade de Teresina e já começou tocando em festivais como o "Artes de Março" no Teresina Shoping e o Festival de Inverno da cidade de Pedro II, templo musical por onde tem passado a nata dos intrumentistas brasileiro. Nese periodo também apresentou-se em vários outros eventos e festas particulares realizada nos estados do Piauí, Maranhão e Ceará. 

Maestro Fábio Mesquita

Mesquita iniciou seus estudos musicais muito jovem no inicio dos anos 90 em Maranguape-Ce, sua cidade natal. Aos 12 anos já tocava trompete na banda municipal da cidade. Participou de outras bandas na cidade de Fortaleza  como a do colegio PIAMARTA e estudou trompete no conservatório Alberto Neponuceno na mesma cidade. Tem licenciatura em música pela UECE e especialização em regência pela UEL. Iniciou sua carreira profissional muito cedo gravando em em estudios e tocando em bailes como músico tecladista nas bandas de forró da região. Aos 17 anos radicou-se na cidade de Teresina onde, pouco tempo depois, iniciou carreira como músico militar na banda do 25º bc.


  • Maestro Fábio Mesquita, um dos músicos mais respeitados da nossa região não só como multi-instrumentista mas, tambem, como arranjador e compositor.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Música Instrumental Popular Brasileira


  • A  música popular brasileira é um dos nossos bens culturais mais respeitado e reconhecido em todo o mundo. No entanto, apesar de todo o seu prestigio e reconhecimento internacional, existe uma modalidade dessa música que permanece distante e desconhecida da grande maioria do povo brasileiro. Que música é essa e qual sua origem é o que vamos ver nesse post do “História & Música no Piauí”.
Estamos falando da música instrumental popular brasileira. Não há dúvida entre os estudiosos e pesquisadores, que sua origem começou com o "Choro".

Gênero musical eminentemente brasileiro e urbano, o chorinho, como também é chamado, é basicamente fruto da mescla de danças européias como a "polka", heranças rítmicas africanas, e o talento mágico do músico brasileiro.

A partir do final do século 19 tem início o nascimento de uma verdadeira constelação de criadores como, Joaquim Antônio da Silva Callado, Anacleto de Medeiros, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Patápio Silva, Pixinguinha, Radamés Gnattali, Jacob do Bandolim, Laurindo de Almeida, Garôto, e tantos outros.
  • Villa Lobos, como é sabido, incorporou o choro em parte da sua obra monumental. Outro elemento importante que também temperou essa nossa música foi o "Jazz" norte americano.
Com as novas influencias que foram sendo adicionadas, à matriz musical que nasceu da mistura da música européia com os tambores da mãe África, foi se dando mais ênfase à improvisação e a variação sobre os temas musicais, e com isso foi criando-se a parti de então uma nova geração de músicos brasileiros como Severino Araújo, K- Ximbinho, Luíz Americano, Abel Ferreira, Zé Bodega, Paulo Moura, Victor Assis Brasil... E assim a música popular brasileira de caráter instrumental foi se expandindo e abrindo um leque de diversas vertentes.
Atualmente, com novos adeptos, com novos trabalhos, e uma nova geração de compositores e instrumentistas que tem se encontrado e trocado informações, a “chama”  da musica instrumental brasileira tem, conseqüentemente, se mantido mais viva do que nunca, e continua seguindo seu curso firmemente, respeitando aos princípios que a geraram, sempre em constante transformação.
  • Acreditamos que nossa música de caráter instrumental realizada por esse grande contigente de instrumentistas, compositores e arranjadores espalhados por esse Brasil afora, tem, por sua própria essência, um alto grau de "apreciabilidade". Isso se traduz no fato de que pessoas que nunca tiveram contato com esse tipo de trabalho musical, quando o tem gostam.
Finalizando, nos resta dizer que também é notório o fato de que essa mesma música que o mundo se rende e respeita, ainda é muito pouco conhecida (e reconhecida) por nós brasileiros, o que é lamentável, para não dizer desastroso. É claro que há esforços no sentido de fazê-la chegar ao povo, seja pela própria classe artística, órgãos de governo ou meio empresarial. No entanto, outras estratégias precisam serem utilizadas para esse fim.

  • Em nosso entender, o conhecimento é a estratégia mais eficaz para que um povo valorize sua cultura. No caso do Brasil, precisamos urgentemente de uma reforma educacional que valorize a universalização do conhecimento musical para todos os brasileiros. E alguém já disse: "O povo sabe o que quer. Mas também quer o que (ainda) não sabe..."


sábado, 3 de setembro de 2011

Torquato Neto: O Gênio Injustiçado da MPB



  • Torquato Neto foi um dos mais relevantes e criativos personagens do meio cultural brasileiro entre as décadas de 1960 e 1970. Sua atuação se deu em vários campos e movimentos, sendo balizada pela tomada de posição sempre vigorosa em favor dos princípios nos quais acreditava. Poeta, letrista de canções populares, crítico musical, polemista, jornalista e cineasta, Torquato converteu-se em um dos principais agentes formadores de critérios valorativos da música popular brasileira contemporânea.

Torquato Pereira de Araújo Neto (Teresina, 9 de novembro de 1944Rio de Janeiro, 10 de novembro de 1972) foi um poeta, jornalista, letrista de música popular, experimentador da contracultura brasileiro. Torquato era filho de um promotor público com uma professora e residia em Teresina até o inicio dos anos 60 quando mudou-se para a cidade de Salvador - Ba, aos 16 anos para os estudos secundários.


O movimento tropicalista, também conhecido como Tropicália, marcou época no Brasil. No final da década de 1960, a partir dos festivais de música, a Tropicália passa a compor a cena cultural brasileira tendo Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto e Tom Zé como alguns dos seus principais mentores.


  • A personalidade combativa e a incapacidade de fazer concessões podem ser apontadas como fatores determinantes para que sua figura passasse a ocupar um lugar de subalternidade em nossa historiografia cultural. Estas são indicações importantes para esclarecer alguns dos porquês deste artista ter entrado para a história como uma espécie de coadjuvante maldito cuja imagem oscila entre a do letrista suicida e romântico da tropicália, e aquela do “mito do poeta morto jovem”, erguido sob a égide da contracultura. Como salienta seu biógrafo Toninho Vaz (2005: 11), Torquato tornou-se um “tema-tabu”.


Por não ser cantor ou instrumentista, Torquato não conseguia sobreviver só da música e tirava seu sustento da atividade jornalística realizada na agência de notícias criada no Aeroporto Internacional do Galeão (antes de se transferir para o Jornal dos Sports, em 1967). Paralelamente, escrevia poemas para serem musicados pelos amigos. Entre 1965 e 1966, compôs diversas canções em parceria com nomes como Gilberto Gil e Edu Lobo, entre outros. Influenciado pelo modernismo brasileiro dos anos 20, Torquato agia, ainda, como uma espécie de ideólogo que pensava as intervenções artísticas escrevendo textos críticos e manifestos (Vaz, 2005).

  • Um dia após completar 28 anos de idade, em 10 de novembro de 1972, ligou o gás do banheiro e suicidou-se. Deixou um bilhete: "Tenho saudade, como os cariocas, do dia em que sentia e achava que era dia de cego. De modo que fico sossegado por aqui mesmo, enquanto durar. Pra mim, chega! Não sacudam demais o Thiago, que ele pode acordar"

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

A Difícil (e necessária) Auto-Crítica


  • Caros colegas leitores e seguidores do dia a dia do nosso blogger, já estamos há mais de dois anos organizando aqui nesse espaço uma impressão sobre a história da música em terras piauiense. No entanto, parece que quando se trata de resgate histórico musical, nada é tão simples assim... Qualquer tipo de análise é insuficiente – todas elas ficam a margem de algo mais difícil de definir, que é sua importância dentro de um determinado contexto de uma determinada época.

Acho importante traçar um panorama, por menor que seja, desse trabalho que desenvolvemos, buscando dentro de uma autocrítica, refletir sobre textos produzidos até aqui.

Não dá para tentar dar conta de uma complexidade que é muito maior do que qualquer texto que façamos. O mundo não cabe em uma garrafa – mas a gente sempre tenta prender aquilo que escrevemos dentro de um conceito ou uma expressão inteligente.

É óbvio que precisamos escrever, e não temos muito tempo para isso. E sempre que escrevemos um novo texto, sabemos que podemos estar diminuindo alguma coisa, cometendo algum tipo de injustiça ou até mesmo exagerando nos elogios.

  • Como dar conta de tudo isso, como não ser injusto e dar a atenção necessária quando não existe tempo suficiente para se pesquisar?

Não tem jeito – quando se trata de música, escrevemos sobre aquilo que gostamos. O problema é que não dá para escrever sobre o que você gosta e ignorar o resto. Não dá para criar um mundo particular, escrever sobre ele, legitimá-lo e achar que o resto não existe. Mas a gente faz isso direto. Pior: fazemos na maior boa vontade, com as melhores intenções, achando que temos o direito de educar todo mundo.

Precisamos fazer o contrário também – além de olharmos para o que está acontecendo no dia a dia, é preciso que se fique atento à aquilo que é invisível aos olhos, é preciso procurar o que não aparece em lugar nenhum, mas que faz a diferença.

O importante é que temos a consciência de que só com humildade, muita pesquisa e uma bela dose de ousadia vamos conseguir escrever um texto com alguma propriedade. Imagino que seja como compor uma obra orquestral: vai dar o triplo de trabalho, vai doer, vai ser difícil terminar, vai soar estúpido mesmo depois da décima quinta revisão. Mas a gente tem que ir lutando para atingir aquilo que queremos alcançar. Mesmo que isso signifique mais uma madrugada em claro, mais um café, e uma humildade gigante para virar para um cara que sabe aquilo mais que você e perguntar: o que eu estou escrevendo faz sentido? Está coerente?

Aos poucos, tento fazer o melhor que posso – e transformar esse melhor todo dia, até que ele transforme-se em algo de qualidade e seja um orgulho para mim.

  • É para isso que estamos aqui – para transformar nosso amor pela música em texto. Mas não dá pra fazer isso sem ter consciência daquilo que não somos, e não vamos ser nunca.